terça-feira, abril 15, 2008

Moção de apoio à Ocupação da Reitoria da UnB

O Movimento Passe Livre DF apóia e participa da ocupação estudantil na reitoria. Entendemos que só na luta e na ação direta é possível desbancar os interesses de quem está no poder. Ao contrário das invasões do Timothy, das fundações e da polícia, @s estudant@s estão ocupando um espaço que por direito é del@s. Também concordamos com todas as pautas de reivindicação do movimento de ocupação, em especial com as que se referem ao acesso e mobilidade na UnB.
Fora reitor!
Por uma vida sem catracas, sem corrupção, pelo trânsito livre!
MPL-DF

mais informações sobre a okupação:
www.ocupacaounb.blogspot.com

terça-feira, novembro 06, 2007

Lúcio Gregóri: o direito ao transporte público e gratuito

Ex-secretário municipal de São Paulo sustenta que o transporte é um direito similar à escola pública e, que a seu exemplo, deve ser custeado pelos mais ricos

Ex-secretário municipal de São Paulo sustenta que o transporte é um direito similar à escola pública e, que a seu exemplo, deve ser custeado pelos mais ricosRenato Godoy de Toledo,
da Redação do Brasil de Fato

Inverter a lógica de que os beneficiados com o transporte coletivo são os usuários. Este é o cerne do projeto Tarifa Zero, apresentado pelo ex-secretário municipal de transportes de São Paulo, Lúcio Gregóri, durante a gestão da então petista Luiza Erundina (1989-92). O projeto foi duramente criticado pela imprensa corporativa e a oposição, além de ter sofrido resistências internas no Partido dos Trabalhadores. O projeto previa a criação de um Fundo Municipal de Transportes e acarretaria numa reforma tributária "para valer", em que os ricos arcariam com os custos da isenção do transporte para a população.

Gregóri, atualmente, concede palestras aos militantes do Movimento Passe Livre (MPL), que organizam-se nacionalmente contra os aumentos tarifários e têm como norte a constituição de um sistema de transporte público e gratuito, em que o custo da tarifa, tal como no projeto de Gregóri, seria bancado pelos que não precisam do transporte e, atualmente, se beneficiam de sua exploração.

O MPL tem feito nas últimas semanas em São Paulo atos contra o aumento das tarifas de ônibus, trem e metrô (leia mais aqui). Em entrevista ao Brasil de Fato, Gregóri deu mais detalhes sobre o seu projeto e defendeu a gratuidade do transporte, tal como na saúde e educação.

Brasil de Fato - Em que se baseia o seu projeto Tarifa Zero e quem arcaria com os seus custos?
Lúcio Gregóri -
O projeto Tarifa Zero procurava dar tratamento aos transportes públicos municipais de São Paulo igual a todos os demais serviços públicos Em nenhum deles há pagamento no ato de sua utilização e todos são pagos pelo conjunto de impostos e taxas municipais. É o caso das escolas municipais, dos postos de saúde e hospitais municipais, da construção e utilização de viadutos, ruas e avenidas da cidade etc... O único serviço pago no ato de sua utilização é o dos ônibus urbanos. O entendimento das raízes disso deve dar uma boa tese ou teoria. Para ser como os demais serviços, o projeto criava um Fundo Municipal de Transportes que tinha uma percentagem do orçamento municipal e que pagava os serviços de ônibus que passavam a serem como que fretados pela prefeitura. Tal como, por exemplo, quando a prefeitura faz um viaduto ou túnel. Paga a empreiteira ou faz por conta própria (hoje muito raramente) e não cobra do automóvel ou do pedestre que por eles passa. Como tratava-se de uma despesa a mais, a Tarifa Zero implicava numa reforma tributária, cuja proposta era de cobrar mais de quem tem mais, pouco de quem tem pouco e não cobrar de quem não tem. Nessa reforma, partia-se do conceito de que os principais beneficiários do transporte público são os proprietários das atividades econômicas da cidade e não, como difundido pela ideologia vigente, os passageiros. Portanto o projeto era, também, um projeto de reforma tributária para valer e, portanto, um projeto de reformulação de políticas públicas.

BF - Quais foram as dificuldades que o senhor enfrentou, devido ao seu posicionamento, durante a gestão Erundina?
Gregóri --
As resistências foram de todo tipo. No governo, entre os vereadores do PT, e nas instâncias partidárias. Nos outros partidos foi de luta feroz, seja por ideologia e compromissos econômicos, seja por luta contra Erundina. É claro que se o projeto fosse aprovado pela Câmara Municipal, Erundina teria uma força política poderosíssima. Por isso, dentro do PT as forças ligadas ao hoje chamado Campo Majoritário eram muito resistentes ao projeto. Lula, Genoíno e maioria do secretariado eram contrários ou resistentes ao projeto, enquanto ficaram claramente a favor do projeto, Marilena Chauí, Paul Singer [então secretários de Cultura e Planejamento, respectivamente] e Paulo Sandroni, presidente da estatal de transportes. Afinal, a proposta mexia com valores e tabus estabelecidos ideologicamente. Lula, por exemplo, disse algo como "trabalhador não precisa de ônibus de graça, ele precisa ganhar o suficiente para ter um transporte de qualidade ". Acho que ele demonstrou não só não ter entendido os fundamentos do projeto, como revelou sua efetiva visão da sociedade (meio “poliânica”, não é verdade?). A mídia e os “ (de)formadores de opinião” fizeram oposição , em alguns casos feroz e destrutiva. Os quadros do PSDB também. Na sociedade civil e órgãos de classe também. No instituto de Engenharia, ficaram efetivamente furiosos. Não sei se por eu ser engenheiro isso tornava a questão ainda mais passível de preconceitos. Ressalte-se, porém, que pesquisa feita pela Toledo e Associados mostrou que a população entendeu perfeitamente e se mostrou a favor do projeto em cerca de 65%.

BF - Qual sua posição frente ao atual sistema de concessões públicas para que empresas privadas explorem o transporte coletivo? Gregóri - Penso que o regime de concessão engessa o serviço público de duas maneiras. Simplificadamente: a concessão pressupõe o equilíbrio econômico do contrato, que é por tarifa, e portanto não haverá como aumentar muito fortemente o subsídio e, claro, implantar a gratuidade. A concessão se dá por um número elevado de anos, 15, 20, 30 anos em geral. Mas a cidade e seus transportes precisam se modificar muito rapidamente em prazos muito menores do que estes. O concessionário passa a ser um entrave a essas adaptações, pois racionalmente ele buscará sempre a maior lucratividade do seu negócio e com as menores modificações possíveis, inclusive por que é um sistema sem concorrência. Estamos assistindo aí em São Paulo a queda de braços entre empresários e população, algo que se repete interminavelmente no Brasil todo, há anos e anos. Uma boa pergunta é: porque nos Estados Unidos, capital do capitalismo e praticamente em toda a Europa os sistemas de transportes são estatais? No tempo de Erundina foi criado o Conselho Municipal de Tarifas (Comtar), que entre outras, estabelecia a planilha de custos dos ônibus da cidade. Tinham assento nesse conselho, a prefeitura, Dieese, sindicatos dos trabalhadores no setor e patronal, outros órgãos da Sociedade Civil etc... Entã,o o custo era público e transparente. Não sei como é hoje. Pela leitura da grande imprensa parece tudo muito obscuro. Para não dizer escandaloso. Só um dado: em 1992 o transporte por ônibus era atividade de mão de obra intensiva. Mais de 60% do custo por passageiro era de mão de obra. Combustíveis e lubrificante, representavam de 6 a 7%. Outro dado: em 1992 , na média a tarifa de ônibus era de 43 centavos de dólar cerca de R$ 1,00. O resto era subsidiado pela prefeitura. Será que os custos subiram tanto assim? Mas não há uma planilha pública e socialmente discutida.

link para Brasil de Fato

terça-feira, outubro 23, 2007

26 de outubro, sexta-feira: DIA NACIONAL DE LUTAS PELO PASSE LIVRE

* DIA NACIONAL DE LUTA PELO PASSE LIVRE!

* ATO EM REPÚDIO AO DESALOJO E PRISÃO ILEGAIS DA OKUPA CASA DAS POMBAS!

* CONCENTRAÇÃO DE 13H ÀS 14H NA PLATAFORMA INFERIOR DA RODOVIÁRIA DO PLANO PILOTO

* 26 DE OUTUBRO, SEXTA-FEIRA


* VENHA COM TRAJES JUNINOS! COMPAREÇA!

terça-feira, outubro 09, 2007

MPL-DF, SindMetrô E URDF organizam seminário de mobilidade urbana no DF


Com o objetivo de ampliar o debate sobre mobilidade urbana e os problemas do transporte, o Movimento Passe Livre do Distrito Federal (MPL-DF), O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô/DF) e a União dos Rodoviários do Distrito Federal (URDF - Movimento Independente) estão organizando o seminário "A decadência do Transporte Urbano do Distrito Federal", nos dias 13 e 14 de outubro de 2007 (nas manhãs e tardes de sábado e domingo), no auditório do SindMetrô. Além destas 3 organizações participarão do seminário diversos grupos e movimentos urbanos do DF.

O evento ocorre em um momento de mudanças na estrutura dos transportes do Distrito Federal. O recém eleito governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), colocou o projeto Brasília Integrada como um dos seus principais eixos de atuação: através de financiamentos de organismos multilaterais, apoio de intelectuais/técnicos de vários locais do Brasil (em especial Jaime Lerner (DEM), ex-governador do Paraná) e nova composição do patronato dos transportes na cidade, esta gestão do GDF pretende promover visíveis, mesmo que não profundas, mudanças na mobilidade da capital. Com o anunciado PAC dos transportes, o governo federal parece seguir a mesma cartilha. Já para trabalhadores e trabalhadoras, as medidas são aumento da carga horária, demissões, restrição ao direito de greve, arrocho salarial e pressão para privatização do metrô. A usuários e usuárias um transporte ainda ineficiente, caro e aumento da dívida pública (interna e externa) por conta dos empréstimos.

O seminário pretende discutir estas e outras questões, rumo à construção de um projeto político construído a partir das demandas das pessoas, impulsionado pelos movimentos sociais.
As inscrições ao seminário são gratuitas e poderão ser feitas até o dia 10/10/07 pelo telefone (61) 33224778.

http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2007/10/397392.shtml

sábado, setembro 29, 2007

MPL entrega carta e bandeira ao EZLN




No dia 18 de Setembro, o Movimento Passe Livre-DF entregou ao Exército Zapatista de Libertação Nacional sua bandeira e uma carta. Na carta (abaixo) o MPL-DF se apresentava e declarava seu apoio e solidariedade a luta dos Zapatistas no México e no mundo. A Junta de Bom Governo do Caracol de Oventik, que recebeu a carta e a bandeira, agradeceu o apoio e disse que os dois movimentos "são companheiros na luta contra o mal governo e o capital".


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18 de Setembro de 2007

Ao Exército Zapatista de Libertação Nacional


Compas,


Poderíamos começar essa carta por muitos caminhos. Pelo caminho da História: por nosso passado, e por mais que estejamos em pontos bem distantes da nossa América, somos irmãos/as e esse já e um motivo para nos contactarmos. Poderíamos também começar pelo caminho da opressão que sofremos, que é também a mesma, a opressão que vem dos ricos e dos poderosos. Mas preferimos começar com o da Resistência. E é por sermos companheiros de luta, na luta dos que estão abaixo e a esquerda, que lhes enviamos a nossa singela mensagem.


Para que nos conheçamos um pouco mais, contamos um pouco da nossa história: Nos somos o Movimento Passe Livre- DF. Esse “DF” é de Distrito Federal, como o que vocês tem ai no México, só que do Brasil, porque somos um movimento nacional no nosso país, mas quem agora lhes escreve é o núcleo da nossa capital. No nosso país, como aqui e em muitos outros lugares, a cidade não é um direito dos que trabalharam e trabalham para mantê-la: aqueles e aquelas que estão abaixo não podem se locomover livremente. Para nós, um dos principais motivos para isso é a maneira como funciona o sistema de transporte nas nossas cidades: como tudo nessa ordem cruel na qual vivemos, o transporte é visto como uma mercadoria, de onde aqueles que já são ricos e poderosos, tiram mais um monte de dinheiro para o seu próprio benefício.


E foi perceber isso, por perceber que não é justo que o nosso direito de ir e vir seja vendido, que iniciamos a nossa luta por aqui. Isso foi no final de 2004 (quando vocês já tinham 10 anos desde o levante!). Surgimos, pois, com muitas idéias: primeiro, aquela bem concreta, de reivindicar um transporte que não excluísse os de abaixo, que fosse gerido por eles/elas e para eles/elas, que na verdade somos todos nós.


Também por isso nos chamamos Movimento Passe Livre. “Passe Livre” quer dizer ter a passagem livre. Concretamente, é o nome de uma das nossas reivindicações, que é que os/as estudantes e os/as desempregados/as não paguem a passagem de ônibus. Mas é também muito mais do que isso: passe livre é a liberdade de ir para onde queremos, de conhecer o que desejemos e de desfrutarmos desse mundo que construímos, sem que ninguém nunca tenha o direito de nos impedir, seja por catracas, por discriminação ou por fronteiras.


Mas nós também não queríamos reproduzir na nossa luta as opressões que criticamos. É assim que o nosso movimento surge também da vontade de uma organização onde as pessoas e coletivos decidam sobre si mesmas e sobre seus assuntos. Por que o que queremos é uma sociedade na qual ninguém decida por a gente ou por nossos assuntos e sonhos, a não ser nos mesmos/as.


Estamos, é claro, no início da nossa caminhada. Como vocês bem sabem, a luta não é fácil, e tampouco é rápida. Nesses três anos, fizemos várias mobilizações, que podemos dizer com orgulho que causaram um bom impacto na nossa cidade. Vimos alguns/as dos/as nossos/as sendo presos/as e machucados pela policia. Aprendemos muito, a respeitarmos uns/umas aos/as outros/as, a escutar mais, a ter paciência. Também aprendemos mais sobre a nossa própria realidade e sobre quem somos. E podemos dizer que nenhum de nós nunca mais será o mesmo depois que começou a lutar.


E se aqui estamos hoje, também é por vocês. E que, mesmo sem saber, e mesmo sem que a gente soubesse na época (eramos todos bastante novos então), quando vocês se levantaram em 1994, acenderam uma luzinha de esperança no coração de muita gente que já não aceitava o mundo assim tão injusto. E essa luzinha foi ficando mais forte, e se transformou em uma chama que já não podia ser apagada e nem ignorada. Por que os motivos para lutar já eram muitos, só nos faltava a esperança. E aconteceu Seattle, Praga, Genova. A guerra do gáz e da água na Bolívia. Os piquetes, os restaurantes comunitários e as assembléias na Argentina. E, aqui, pequeninos, mas com a mesma sede de justiça, surgimos nós.


Estamos, então, cada qual a sua maneira e em seu tempo, construindo a nossa luta, que é pelo mesmo sonho, o sonho de um mundo com liberdade e igualdade. E sabemos bem que sempre que nós lutadores/as descobrimos que tem mais gente no mundo no nosso lado da batalha, o nosso coração cresce. E é por isso, então, que lhes enviamos a nossa mensagem e a nossa bandeira, desde o centro do Brasil. Para que vocês saibam que aqui também estamos plantando a semente de um mundo novo. E que estamos então de braços dados nesse caminhar.

Em solidariedade,
Por uma vida sem catracas
Por um mundo onde caibam muitos mundos.

Movimento Passe Livre -DF.


segunda-feira, setembro 24, 2007

NOVOS BOTTONS DO MPL-DF

Como muit@s sabem, o MPL é um movimento autônomo e independente, e que tenta trazer às suas práticas o sentido do "faça-você-mesm@". Assim, isto é aplicado em vários âmbitos de nossa Organização e Luta. E não seria diferente com a arrecadação de nossos recursos financeiros.

Indo direto ao ponto, é que para ajudar nesta questão, agora o MPL-DF está vendendo seus novos bottons! O custo de cada um deles é de 1R$ (um real), e você pode escolher entre 10 tipos diferentes de bottons, tendo 5 variedades de desenhos.

Entre em contato conosco para combinarmos a melhor forma de sua aquisição =D
mpldf@riseup.net

Lembramos que assim você está ajudando não somente com nossos recursos financeiros, mas também na propaganda do Movimento e da Luta... e claro, além de arrumar um visual descolado ;)

(CLIQUE NA IMAGEM ABAIXO PARA VISUALIZAR MELHOR)

quarta-feira, setembro 19, 2007

Oficina: Política e Técnica na Organização da Mobilidade na Capital


Com o objetivo central de promover a aproximação entre a militância de movimentos populares vinculados a questões de mobilidade e pesquisadores que refletem na mesma perspectiva, o Programa de Pós-Graduação em Transportes (PPGT) e o Movimento Passe Livre (MPL) convidam para a oficina "Política e Técnica na Organização da Mobilidade na Capital", que será realizada na manhã desta sexta-feira, dia 21 de setembro.

O foco da oficina será a discussão sobre os papéis da determinação política e da técnica na organização e gestão do sistema de transportes no DF. A discussão partirá de casos objetivos e estruturais em que a mobilidade foi organizada a partir da estrutura dos poderes políticos presentes na sociedade.

Programação:

08h30 - Abertura da atividade e apresentação da discussão
09h00 - História do movimento, dos conflitos com o estado (apresentação por militante do MPL)
09h30 - Exibição do primeiro vídeo
10h00 - A relação do movimento com a discussão técnica (apresentação por militante do MPL)
10h30 - Exbição do segundo vídeo
11h00 - Debate: técnica ou política? (mediação pelo Prof. Paulo Cesar, do PPGT)


Local:

Sala de aula do PPGT
Faculdade de Tecnologia, prédio SG-12, 1o. andar




Contatos com o MPL:

MPL nacional: www.mpl.org.br
MPL-DF: www.vidasemcatracas.blogspot.com
E-mail do MPL-DF: mpldf@riseup.net

sábado, setembro 08, 2007

Seminário de Mobilidade Urbana

Produtivo o seminário de floripa , está ai um puto incentivo pro nosso !

Carta de Convergências do Seminário de Mobilidade Urbana. - Floripa

Realizado nos dias 11, 12 e 13 de julho de 2007, nas dependências do auditório do Centro de Convivência da Universidade Federal de Santa Catarina, e organizado pelo Movimento Passe Livre em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores da UFSC (SINTUFSC), com a Associação dos Professores da universidade (APUFSC) e estudantes da UFSC em luta, o seminário inscreveu 103 pessoas e reuniu, num total de sete atividades dispostas ao longo dos três dias, bem mais de uma centena de interessadas/os em debater a mobilidade urbana e construir um outro projeto alternativo ao que hora vigora.
Pensado somente sobre a ótica dos números ele já seria um seminário vitorioso. Mas, muito mais importante do que os números é a qualidade dos debates ocorridos ao longo das atividades. Esses debates ajudaram a consolidar e a dar substância à idéia de que é absolutamente possível e, sobretudo, necessária e urgente a construção de um projeto de mobilidade urbana que seja pautado nos interesses sociais e coletivos, na defesa do meio ambiente e na garantia dos direitos elementares de acesso livre aos espaços da cidade, invertendo a matriz desigual, segregadora e periférica do modelo atual de urbanização, sem as barreiras do lucro que impedem o gozo pleno dos nossos direitos.
Como fruto desses debates, apresentamos aqui algumas das propostas convergentes que não representa a complexidade e a profundidade alcançada, mas que sintetiza um conjunto de bandeiras táticas e estratégicas que apontam para esse novo projeto.

I - Tarifa Zero nos transportes coletivos.

O transporte coletivo é um direito elementar, que entre outras coisas deveria garantir o acesso aos demais direitos elementares, como a saúde e a educação. Deveria, mas desgraçadamente não garante, porque o transporte coletivo é uma mercadoria, um grande negócio, que tem servido para enriquecer pequenos grupos empresariais, e reproduzir seus interesses políticos no nível da municipalidade.

Essa aberração social produziu números absolutamente intoleráveis, como os que demonstram que 37 milhões de brasileiros/as estão excluídos do direito de locomoção por conta das tarifas do transporte. Esta claro para nós que os transportes coletivos urbanos são um serviço público essencial, e que nessa condição devem caminhar rumo à gratuidade total e universal, subsidiada pelo poder público, e não como subsídio aos empresários do transporte, mas como subsídio aos usuários dos transportes, a partir da inversão da lógica de pagamento dos seus custos. Que paguem pelo transporte coletivo, não os que o utilizam pela mais absoluta necessidade, mas justamente aqueles que se beneficiam do deslocamento diário das forças de trabalho, ou seja, os donos dos grandes meios de produção e comercialização das mercadorias.

II - Municipalização dos transportes.

Um passo fundamental e estratégico no sentido da promoção de um projeto de mobilidade urbana pautado nos interesses sociais e coletivos é a municipalização dos transportes. Ou seja, que o poder público assuma para si, retirando do âmbito privado dos empresários, o planejamento e a execução dos transportes coletivos. Não é possível permitir que os itinerários, os custos e os preços, a renovação das frotas, a adaptabilidade dos ônibus para pessoas com deficiência, enfim, que isso seja gerido pelos empresários, que operam, por razões óbvias, de acordo com os interesses de seus lucros.

III - Multimodalidade dos transportes.

É necessário quebrar o monopólio dos transportes rodoviários e trabalhar na lógica da complementação entre as várias modalidades de transporte. Os transportes marítimos e as ciclovias são exemplos concretos e viáveis. No caso das ciclovias, inclusive, já há legislação que prevê a necessidade da criação de bicicletários em espaços públicos, e nesse sentido é tarefa nossa pressionar para a construção de bicicletários em terminais urbanos, bem como a ampliação das ciclovias.

IV - Combate ao transporte individual.

A consolidação da hegemonia ideológica liberal, levada ao seu extremo nos dias atuais, combinada com o crescimento demográfico e a expansão continua e permanente da urbanização, está levando as cidades e a mobilidade urbana ao colapso, pela falta de um sistema integrado de mobilidade que inclua todas a modalidades. A procura permanente pelas saídas individuais, sintetizada na lógica do carro e da moto, é inviável do ponto de vista social, ambiental e espacial. É absolutamente necessária a difusão de uma cultura contrária à lógica do carro. Mas mais do que isso, é fundamental para combater essa lógica a taxação adequada do transporte individual, e a transformação do transporte coletivo num transporte atraente e eficiente, funcionando à Tarifa Zero.

V - Acessibilidade

Esse novo projeto de mobilidade tem que dar visibilidade e garantir a acessibilidade das pessoas com direitos especiais. Não são as pessoas que são deficientes, mas a cidade que não consegue incluí-las adequadamente. Nesse sentido é preciso pensar a cidade e os meios de transporte com desenho universal, uma cidade sem barreiras, que garanta o livre acesso a todas as pessoas.

VI - Difundir uma cultura e o papel da mídia.

Esse debate precisa ter voz para alcançar o público e explicar qual a relevância do movimento e das manifestações. Ocupar o espaço da grande mídia, abrindo brechas para inserir nossas informações dentro dos meios de massa, sem no entanto criar ilusões no seu conteúdo de classe. Construir uma ferramenta para que as pessoas que protagonizem as manifestações em favor da reorganização urbana expliquem seus pontos de vista, e o consigam levar para a população. Utilizar o site do centro de mídia independente e do sarcástico e criar outros espaços, levar as noticias para as ruas. Jornais poste, informativos gratuitos, rádios comunitárias, mostras populares de vídeos são formas de levar para as comunidades locais o debate. A construção de uma forma de mídia popular para contrapor a ideologia vigente, para que possamos construir a nossa própria história.

VII - Mobilização Popular.

A construção de um projeto de mobilidade urbana apenas no campo da política institucional é insuficiente, prova disso é a forma como os direitos à educação, à saúde e cultura não são garantidos pelo poder público como deveriam. É na necessidade da cidade ser pensada e construída por aqueles que nela vivem que está o papel dos movimentos sociais. É fundamental ressaltar que apenas uma forte iniciativa no campo institucional é incapaz de dar conta das batalhas duríssimas que esse conjunto de propostas suscita. O exemplo de São Paulo, na gestão Luiza Erundina, comprova isso.

Apesar de todo o esforço institucional, do poder executivo, a falta de um debate aprofundado, necessário para a mobilização popular em torno da luta mostrou que não havia força necessária para a queda de braço política. Cabe a nós equilibrar essa balança, dando enfoque ao que é primordial, ou seja, aquilo sem a qual é impossível vencer: a organização da luta popular.


Retirado de :http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=28708


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PASSE LIVRE JÁ!

domingo, agosto 12, 2007

Carta do MPL-DF às e aos estudantes de Pedagogia

O Movimento Passe Livre do Distrito Federal agradeçe às e aos estudantes de pedagogia de todo o Brasil por nos ter feito o convite para participar da mesa "A Luta Pela Terra e a Criminalização dos Movimentos Sociais".
O debate na mesa, composta por Miguel (representante da ASEMI) e pela professora Adelaide (Pedagogia/UFMA), foi de grande proveito para o MPL-DF. A ativa participação da plenária demonstrou o grande interese dos e das estudantes de pedagogia com relação à luta dos movimentos socias e constribuiu muito para o resultado final da mesa.
O espaço aberto ao MPL para a exibição dos videos também foi de grande proveito, mesmo tendo ocupado o espaço de outra atividade e as pessoas não terem sidos avisadas. Durante a exibição muitas pessoas passaram pelo local e poucas, cerca de 30, ficaram até o fim. Mas as que ficaram demonstraram grande interesse pela causa dos transportes e mobilidade e tivemos uma conversa bem legal.
Novamente agradecemos as organizadoras e aos organizadores e todxs estudantes de pedagogia.
Gostariamos de deixar o nosso contato para estreitar as relações, manter o diálogo e ampliar a luta.

site nacional: www.mpl.org.br
blog MPL-DF: vidasemcatracas.blogspot.com
e-mail MPL-DF: mpldf@riseup.net
e-mail Yuriê (MPL-DF): yuriebc.mpl@gmail.com

Não se sintam intimidados em pedir e procurar mais informações sobre o MPL.

Já aproveitamos para convidar a EXNEPe para participar do Seminário Nacional de Mobilidade Urbana que o MPL-DF está organizando, ainda sem data fechada, mas será pelo final do ano.

por uma vida sem catracas!!
PASSE LIVRE JÁ!

MPL-DF

domingo, julho 15, 2007

O PARADOXO DA ESPERA DO ÔNIBUS

Quem já teve de esperar aquele busão que nunca passa e enquanto isso você fica refletindo sobre essa situação chata, pensando, por exemplo, "quanto mais o ônibus demora mais perto ele está pra chegar", você certamente vai se identificar com este vídeo!


segunda-feira, julho 09, 2007

Exposição de fotos do MPL-DF no sebinho da 406 norte

Após participação na semana da cultura, combinamos que a exposição de fotos do MPL-DF permanecerá no espaço do SEBINHO da 406 norte até sexta-feira desta semana, dia 13. A exposição é composta por 67 fotos tiradas por diferentes pessoas durante várias manifestações, reuniões etc. do movimento, constituindo parte importante de nossa memória coletiva. Convidamos todos e todas a visitarem nossa exposição e deixarem seus recados, idéias e etc.

Compareçam!!

* Exposição de fotos do MPL-DF
* De 7 a 13 de julho de 207
* Local: Sebinho, endereço SHCN 406 bl. C lj. 44 / Tel: 3447 4444

quinta-feira, julho 05, 2007

III Festival de Inverno da Rua da Cultura

Confiram a programação da Rua da Cultura, que aconteçe nos dias 6, 7 e 8 de julho, na CLN 406/407 norte.

http://www.ruadacultura.com/

O MPL-DF estará presente realizando uma oficina de serigrafia na sexta feira às 15H30min e uma conversa sobre transporte público e segregação racial no DF, sexta às 16. Além disso sábado também teremos montada a exposição de fotos do movimento, no espaço "o olho do observador". Compareçam!


Programação do MPL:

Sexta-Feira, 15:30:
Oficina de serigrafia
Sexta-feira, 16:00:
Conversa sobre mobilidade urbana e segregação racial
Sábado, a tarde inteira: Exposição de fotos do MPL no "olho do observador"

terça-feira, junho 26, 2007

Festa das rádios livres


Da união entre RADIOLA FM, RALACOCO FM, ANTRO e CASO surge o primeiro grande evento:

Com a mistura de ritmos da banda RUPESTRE, o reggae raíz da banda SEMENTE PROMETIDA (reggae a semente + terra prometida) e o poeta do rap, GOG, que acaba de gravar o seu primeiro dvd!
A festa oferece ainda espaço alternativo com:
Dj's das Rádios Livres mandando um som a la diversidade cultural total e DJs PERCUSSION BROTHERS estarão ajudando esse movimento mandando o melhor do Reggae, Ragga, DuB, Dancehall, Hip Hop!

Palco principal:
GOG
Semente Prometida
Rupestre

Espaço alternativo:
Dj“s- das Rádios Livres +Percussion Brother's
Orquestra Malavida

Sábado, dia 30 de junho
A partir das 22h
Centro Comunitário da UnB

R$ 5,00 até 00h - R$ 7,00 após 00h
Cerva $1,50 até 00h

PELA DIVERSIDADE CULTURAL, LIBERDADE DE EXPRESSÃO,MOVIMENTOS SOCIAIS E CONTRA O MONOPÓLIO MIDIÁTICO!

quinta-feira, junho 21, 2007

Planka: movimento pela gratuidade do transporte (Suécia)


O artigo a seguir foi escrito por um voluntário do Centro de Mídia Independente de São Paulo, sobre um encontro que teve com o referido grupo. Boa leitura!

Planka: movimento pela gratuidade do transporte (Suécia)

Por Pablo Ortellado - voluntário do CMI-SP (Email:: pablo@riseup.net)

No dia 13 de junho tive um encontro com os companheiros do movimento sueco Planka Nu (Viagem Grátis Já) em Estocolmo. Abaixo segue o relato da conversa.

O movimento tem por volta de 4 anos e, assim como o Passe Livre, demanda transporte gratuito para todos. A estratégia que eles adotam, no entanto, é única. Na Suécia, se você é pego no metrô ou ônibus sem bilhete, você toma uma multa (atualmente no valor de 800 Kronos, cerca de 240 reais). Como o custo de um passe mensal é de 650 Kronos (195 reais), não vale a pena arriscar. O que o Planka Nu vem fazendo, no último ano e meio, é constituir um fundo coletivo para pagar a multa caso quem viaja de graça seja detido. Funciona assim: o Planka fundou uma associação legalmente constituída e todo mundo pode se associar pagando uma mensalidade de 100 kronos (30 reais) no banco. Se você for pego viajando de graça, basta apresentar a multa para a associação e a associação paga a multa para você. É um seguro para pular a catraca.

O caráter único desta estratégia vem do fato de que na Suécia, viajar de graça não é exatamente um crime - a lei diz que se você for detido, você paga uma multa na forma de "tarifa complementar". Assim, a estratégia deles, a despeito das muitas críticas do governo e da direita, parece ser perfeitamente legal. Esse fundo, com o passar do tempo, se mostrou inclusive superavitário. Eles são hoje o único grupo autônomo que tem dinheiro em caixa e fazem sempre doações para outros movimentos, em particular o movimento em defesa dos imigrantes. Eles têm um pequeno escritório dividido com outros grupos onde recebem chamadas telefônicas das pessoas que foram detidas e prestam auxílio legal. Todo o trabalho é voluntário.

Atualmente, a associação tem 350 membros, mas esse número varia de mês a mês. Quando a passagem aumenta, o número de associados cresce e quando a passagem baixa, o número de associados cai. O grupo é formado por um núcleo duro de umas 4 pessoas que sempre participam das reuniões, mais umas 10 a 20 pessoas que vão e vêm.

Além do "seguro", o grupo também organiza manifestações, dá auxílio jurídico e faz uma campanha política permanente defendendo o transporte gratuito para todos. No dia seguinte ao que conversamos, eles fariam uma manifestação no órgão equivalente à câmara de vereadores contra um projeto de lei da direita que redirecionava as multas para quem violava o rodízio de carros no centro da cidade para a construção de rodovias (quando antes o dinheiro das multas ia para o transporte público). Eles também fazem uma campanha grande, distribuindo adesivos, fazendo camisetas, mochilas, etc. Além disso, eles têm um advogado voluntário que auxilia pessoas que sofreram abuso pela polícia pelo fato de estarem andando de graça (parece que todo mês acontece de alguém ser espancado). O fato do seguro ter um superávit permanente permite financiar todas essas atividades de propaganda com folga.

Pelo que eu pude ver, o Planka é um movimento conhecido no país. Sempre que acontece algo relacionado ao sistema público de transportes, eles são chamados pela imprensa para comentar (apenas um exemplo: outro dia a polícia retirou um camelô que trabalhava na entrada do metrô e a imprensa foi pedir a opinião do Planka). Eu também vi um vídeo-clipe muito legal de um rapper que foi feito para o Planka Nu a pedido do pessoal de Gotemburgo (link abaixo). Parece também que uma personalidade da TV Sueca (a primeira participante de um Big Brother a fazer sexo na frente das câmeras) fundou um partido (acho que meio como a Cicciolina na Itália) e convidou o Planka para participar da parte do programa relacionado a transportes. Embora a associação tenha só 350 pessoas, eles terminam sendo considerados os "representantes não oficiais" de todo um setor da população que viaja de graça. Segundo estimativas do próprio metrô, entre 6 e 10% da população viaja de graça.

Do ponto de vista político, o Planka defende um transporte gratuito para todos. Eles não têm conexões permanentes com os partidos políticos e vêem a sua tarefa não como a de propor leis, mas de pressionar os políticos a proporem leis. Muitos dos militantes vieram do movimento estudantil "sindicalista" (ou seja, ligado ao sindicato anarquista SAC - hoje com cerca de 10 mil associados), mas têm enfrentado dificuldades com alguns grupos anarquistas que os têm criticado. Eles não têm muito bem definido o modelo de transporte gratuito para todos que defendem. Têm apenas o princípio geral de que o transporte deve ser gratuito e financiado por um imposto progressivo (como o imposto de renda).

Atualmente, dois partidos apóiam "em teoria" a causa da gratuidade dos transportes: o Partido Verde e o Partido da Esquerda (antigo Partido Comunista). No entanto, esse apoio "teórico" não se transforma em propostas de lei efetivas, porque para propor leis a esquerda depende sempre do apoio do Partido Social Democrata (que governou a Suécia por 70 anos e recentemente saiu do poder) e o Partido Social Democrata não apóia a gratuidade. Eles também têm problemas com o sindicato estudantil (que, pelo que pude entender, é um corpo oficialmente eleito nas escolas e universidades) que luta pela expansão do desconto para estudantes (que é restrito a determinados horários) e vê a luta pela gratuidade como ameaça a sua estratégia.

A propósito, do ponto de vista estratégico, o Planka acredita que a viagem gratuita é equivalente a uma "greve dos transportes" - uma espécie de "greve dos consumidores". Eles também entendem que a estratégia deles é popular porque permite alcançar um objetivo concreto - é o estabelecimento de uma alternativa "aqui e agora". Essa estratégia, na avaliação deles, é próxima da dos internautas que baixam música gratuitamente (aliás, eles mencionaram que algumas pessoas do movimento pirata na Suécia esteve envolvido no Planka no começo da campanha).

O Planka Nu está bem estabelecido em Estocolmo e parece que um grupo em Gotemburgo também está consolidado, ainda que menor e menos influente. Eles tentaram expandir a experiência deles para outros países (como a Alemanha), mas nunca conseguiram. O principal entrave é que nos outros países viajar sem pagar a passagem é crime. Assim, embora haja ativistas que se interessam e lutam pela gratuidade dos transportes (eu mesmo tive notícia de um grupo em Paris), eles não encontraram como o Planka uma estratégica prática de ação. Um pouco por isso eles ficaram muito entusiasmados com o MPL, cujas lutas já tinham ouvido falar, mas acho que não sabiam que era um movimento organizado. Minha impressão é que valeria muito a pena o MPL estreitar os laços com o Planka.

Abaixo alguns links com maiores informações do Planka:

Site com informações em inglês:
http://www.planka.nu/eng

Breve informação em português:
http://www.planka.nu/international/no-portugus

Email: sthlm@planka.nu

Video do rapper Mofo "Join Us" sobre o Planka.Nu
http://youtube.com/watch?v=wHkeC8ZPuco

Artigo retirado do endereço: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/06/386137.shtml

domingo, junho 17, 2007

Confira o panfleto distribuido pelo MPL na X Parada do Orgulho Gay no DF.



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segunda-feira, junho 04, 2007

AUMENTO DAS TARIFA$ EM FLORIANÓPOLIS...

No início da semana passada, 27 de maio, as tarifas do sistema de transpote público em Florianópolis tiveram um novo aumento. A passagem passa de R$ 1,80 para R$ 1,90, no cartão, e de R$ 2,10 para R$2,40 em dinheiro. A tarifa social que hoje custa R$ 1,15, no cartão, passa a ser R$ 1,25, e em dinheiro ela irá custar R$ 1,50. Um novo aumento, que como os outros tantos pelo país afora, é baseado na velha fórmula de empurrar para a população os custos de um sistema de transporte caro e ineficiente. Isso é um absurdo inaceitável!

*Notícias, notas e demais materiais sobre o aumento podem ser encontrados nos seguintes links:
:: http://www.mplfloripa.blogspot.com/
:: http://www.midiaindependente.org/
:: http://manifestacao.rizosfera.net/


Nota Nacional do Movimento Passe Livre

O Movimento Passe Livre vem manifestar nacionalmente apoio à luta contra o aumento de passagens em Florianópolis. Recorrente há anos por todo o Brasil, tal luta também se insere em nossa busca por um transporte realmente público. Nos solidarizamos portanto não só com o MPL-Floripa, mas com toda a população da cidade que resistirá a esse aumento.

:: http://www.mpl.org.br/



sexta-feira, junho 01, 2007

O QUE SE GANHA COM O AUMENTO DAS VELOCIDADES?
retirado de: http://bicicletanavia.multiply.com/
pOr: Paulo Cesar Marques da Silva*
escrito em maio de 2007


Seria leviano atribuir a morte trágica de mais dois ciclistas atropelados no acostamento do Lago Norte, na última semana, à política de aumentar os limites de velocidade de algumas vias. Mas a circunstância de que a perda das duas vidas aconteceu exatamente no dia em que as placas de 60km/h foram substituídas pelas de 70 km/h no local nos obriga a refletir seriamente sobre os efeitos desse desatino com que o Detran quer marcar a reedição do programa Paz no Trânsito.

Ainda há alguns dias, em debate numa emissora de televisão, tive a oportunidade de ouvir do representante do Detran que as vias sujeitas a aumentos de velocidade não são escolhidas aleatoriamente, mas sim com base em estudos técnicos. O apresentador do programa então pediu detalhes de tais estudos e todos aprendemos que se trata do monitoramento dos índices de acidentes — vias que apresentam altos índices não são candidatas à dilatação dos limites de velocidade. Convenhamos, é um critério pouco responsável.

É o próprio Detran que nos informa que a primeira edição do Paz no Trânsito e a implantação da fiscalização eletrônica de velocidade fizeram o número de mortes no trânsito cair de 610 em 1996 para 465 em 1997. O número de mortos por 100 mil habitantes caiu de 34 para 22 no mesmo período e está hoje um pouco abaixo de 20. Coincidência ou não, as velocidades médias nas vias do Distrito Federal caíram abruptamente, também nesse período, em cerca de 40% e vêm se mantendo estáveis graças à fiscalização eletrônica. Sem dúvida, são resultados alentadores — mas não podemos nos dar por satisfeitos com esses números. Só para termos uma idéia, a meta da Política Nacional de Trânsito é reduzir a 14 o número de mortos por 100 mil habitantes até 2010. Ou seja, se reduzimos em 40% esse índice num período de 10 anos, temos só mais três anos e meio para reduzi-lo em outros 30%. De onde vem, então, a idéia esdrúxula de aumentar as velocidades?

O argumento que o Detran vem apresentando à população é da redução dos tempos de viagem. É claro que velocidades mais altas reduzem os tempos de viagem. Mas será que nós temos uma noção razoavelmente precisa do que é essa economia? Façamos uma conta simples. A via L4 Sul tem aproximadamente 10km de extensão. Percorrendo-a de ponta a ponta, no limite de velocidade anterior, de 70 km/h, gastávamos 8 minutos e 34 segundos. Com o novo limite, de 80 km/h, gastamos 7 minutos e 30 segundos. Isso mesmo – uma incrível economia de 1 minuto e 4 segundos. Outros exemplos? Nos aproximadamente 3km da EPJK (entre a DF-001 e a Ponte JK), o aumento de 70 km/h para 80 km/h nos proporciona um ganho de 19 segundos; nos 9km do Lago Norte (de 60 km/h para 70 km/h), 1 minuto e 17 segundos. Formidável.

O argumento fica ainda mais frágil quando o Detran diz que o objetivo é aumentar a fluidez nos horários de pico. Ora, nesses horários a velocidade não fica limitada pela regulamentação, mas sim pela concentração de veículos. Em outras palavras, é a alta demanda veicular, levando a operação da via para os limites de saturação, que impõe as restrições de velocidade nesses horários. Isso é tão elementar que a insistência do Detran em usar tal argumento deixa no ar a forte sensação de abuso demagógico da boa-fé da população.

O mais grave de tudo, entretanto, está nas conseqüências do aumento da velocidade sobre a ocorrência e a severidade dos acidentes. O impacto de um choque ou de um atropelamento depende da energia cinética do veículo em movimento, ou seja, varia com o quadrado da velocidade. Portanto um aumento de, por exemplo, 17% na velocidade (de 60 km/h para 70km/h), que significa 14% de redução no tempo de viagem, corresponde a um choque 36% mais grave. Por isso morrem 50% das pessoas atropeladas a 50 km/h, 90% das atropeladas a 70 km/h e praticamente 100% das atropeladas acima de 80 km/h. Além disso, mesmo quando a velocidade alta não é o fator principal de determinado acidente, ela pode impedir que o acidente seja evitado.

Assim, o Detran prestaria um serviço muito melhor à população do Distrito Federal se divulgasse fatos como esses, que ajudam a desconstruir a nefasta cultura da velocidade, em vez de jogar para a platéia medidas que não atingirão os objetivos anunciados e ainda comprometerão severamente os esforços de anos para assegurar um trânsito mais humano. Ainda é tempo de recolocar o Paz no Trânsito no rumo certo.
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*Paulo Cesar Marques da Silva
Professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), é doutor em Transportes pela University College London (Inglaterra)

segunda-feira, maio 28, 2007

*Usaremos o símbolo “@” a fim de causar inclusão de gênero!

Car@s compas,

Motivos não nos faltam para estarmos aqui hoje, prestando a nossa solidariedade à luta d@s Metroviári@s. O simples fato de estarmos tod@s vivendo em um sistema que tenta nos oprimir e nos condenar já seria motivo para nos apoiarmos uns/umas aos/às outr@s. Somos tod@s pessoas comuns, que buscam a cada dia o necessário para viver, e isso também já seria o suficiente para nos unirmos. Mas há algo além de tudo isso: estamos tod@s na mesma luta, a luta por um mundo livre e por um transporte justo.

E porque o transporte? Nós, do Movimento Passe Livre, sabemos que a nossa sociedade não funciona sem ele e por isso não achamos justo que o transporte seja fonte de lucros inesgotáveis para alguns poucos empresários, que rodam a cidade em seus carros de luxo(***). Como podem estas pessoas, além de mandar no sistema de transporte, se beneficiar quase que totalmente dele? Ainda mais por cima da população usuária, que paga as tarifas absurdas, e d@s trabalhador@s que fazem o sistema funcionar!? É a evidência de nossa espoliação!

Para nós do MPL, não faz sentido comercializar o direito de ir e vir, assim como não faz sentido que @s trabalhador@s do transporte tenham seus esforços desvalorizados e suas necessidades concretas não atendidas por baixos salários e péssimas condições de trabalho. E que sentido faz, afinal, aquel@s que, cotidianamente, se utilizam do sistema de transporte e aquel@s que os fazem funcionar, trabalhando nele, terem retiradas de suas vidas a gestão desse sistema? Esta exclusão é sem dúvidas a causa de nossa exploração, de nossa alienação! Esta é a condição que nos obriga a lutar, protestando enquanto usuári@s ou em greve d@s trabalhador@s!

E o que se vê frente as nossas legítimas reivindicações? Frente às pautas d@s metroviári@s?

Auxílio alimentação, abertura de concursos públicos, aumento salarial, plano de carreira, atenção à periculosidade do trabalho etc., são tratados com descaso pelo Governo e a empresa do Metrô. A Luta por respeito e dignidade da categoria, encontra como resposta lançada pelas mãos direitas dessas autoridades, ataques e ameaças como: a privatização do setor, demissão de empregad@s, corte do ponto dos dias em greve, desmoralização do direito a greve. Não o bastante, tem-se o bombardeio das mídias burguesas em opor a Luta d@s trabalhador@s metroviári@s contra @s usuári@s, enquanto escondem os verdadeiros motivos da Luta e suas condições de trabalho, que são justamente contra as medidas dos patrões e governantes!

Mesmo que atendidas parcialmente as suas reivindicações, as conquistas obtidas não foram simplesmente dadas; foram resultados dos esforços próprios da classe em Luta direta na greve! Isso mesmo comprova nossa força quando nos mobilizamos, quando exigimos o que é nosso por direito! O poder do povo é demonstrado quando há paralisação de um serviço como os de transporte público: caso contrário será que os poderosos lançariam sua ira em formas de ameaças se seus interesses particulares não estivessem sendo diretamente afetados!?

Não podemos nos deixar enganar: a mão que finge que dá é, na realidade, a mão que nos bate! Diferente desta, nós do Movimento Passe Livre estendemos nossas mãos com respeito e solidariedade sinceras às Lutas d@s metroviári@s, para somarmos esforços em erguermos juntos nossos punhos contra a exploração dos patrões e governantes! Estaremos presentes no que for necessário: fechar vias, mobilizar a população, pressionar as autoridades, criar espaços de diálogo entre trabalhdor@s e usuári@s dos transportes, enfim, caminhando ombro a ombro por nossa emancipação. Acreditamos em nossa união, pois dela virá nossa vitória! A greve da categoria pode ter terminado, mas a Luta não pode parar!


Em solidariedade,
Movimento Passe Livre DF.
POR UMA VIDA SEM CATRACAS!

terça-feira, maio 15, 2007

Tarifa Zero! A realidade possível.


Quando um sistema entra em crise, todas as saídas paliativas não passam de remendos históricos, que logo rebentarão diante do rio caudaloso da História. E diante de uma situação de crise de um sistema, cabe àqueles que sempre o contestaram indicar claramente quais são suas perspectivas estratégicas, seu sistema substituto. Ou seja, um sistema que seja condizente com seu momento histórico, e com as necessidades da sociedade que dele se utiliza.


Florianópolis viveu dois momentos de profunda radicalização na cidade, em 2004 e 2005. Duas revoltas intensas, de semanas de duração, enfrentamento, e violência Estatal, com prisões arbitrárias, utilização de armamento ilegal, etc. Essas revoltas ocorreram como expressão do desgaste, da “falência” – não no sentido financeiro, mas social e moral –, do Sistema de Transporte Coletivo Urbano.


Elas expuseram uma contradição fundamental e insustentável: a necessidade de um transporte coletivo público e voltado para os interesses do desenvolvimento da sociedade, das forças produtivas em geral, e a realidade de um sistema falsamente “público”, controlado por famílias oligárquicas e atrasadas – ou mesmo por grandes corporações internacionais –, e que se pautam fundamentalmente pelo lucro, e não pela res pública. Ou seja, o transporte coletivo é visto como um grande mercado, uma fonte de apropriação de fatias gordas do orçamento das famílias, uma fonte de poder econômico e político. E como tal, interessa que esse sistema seja mantido para esses mesmos grupos.


Acontece que na sociedade existe luta de classes. Que nessa contradição há interesses opostos, e que toda exploração tem seu grau de limite. O dos transportes públicos chegou.



Além das históricas Revoltas da Catraca, em 2004 e 2005 em Florianópolis, a Revolta do Buzú em Salvador, em 2003, e revoltas similares que derrubaram ou contestaram tarifas em Vitória (ES) 2005, Uberlândia (MG) 2005, Criciúma (SC) 2005, Fortaleza (CE) 2005, e Recife (PE) 2005, mostraram que essa é uma onda inevitável. Nesse momento Bras
ília (DF) e Aracajú (SE) estão em lutas contra aumento de tarifas nos transportes urbanos. E essa onda não vai parar, pelo fato concreto de 38 milhões de brasileiros não terem acesso aos transportes em virtude de suas tarifas, e desse número crescer a cada tentativa de novo aumento nos preços.


Existe solução. Ela dependerá de uma combinação bem sucedida de fatores: mobilização popular, concepção estratégica de um modelo de sistema de transportes, e direção/determina
ção política em aplicá-lo. No que diz respeito à direção política, confirma-se depois de um ano que a determinação da dupla Berger/Stroich é a de fazer linha de frente para os empresários do setor. Suas declarações recentes sobre a tarifa única demonstram isso. Darão a tarifa única como único recurso para aumentar as tarifas dos seus iguais, os empresários. Do ponto de vista da mobilização popular, há uma expectativa bastante positiva, como saldo de duas vitórias consecutivas (2004/05), e da grande demonstração de força da população nas duas revoltas. Do ponto de vista do modelo, cabe fazer a ampla discussão na sociedade. Nossa determinação é a de ousar. Pensar o transporte como serviço público essencial. O transporte coletivo deve ser retirado das mãos da iniciativa privada, como fator fundamental para superar a pauta da lucratividade, que é a questão essência que exclui milhões de pessoas do transporte. O transporte deve ser gerido pelo poder público, municipalizado, voltado para os interesses da coletividade, e pautado numa outra forma de financiamento.


Ou seja, é preciso pensar numa nova forma de tributação que onere os setores que verdadeiramente se beneficiam do funcionamento diário do transporte coletivo, e não os usuários. Os setores que se beneficiam são os
grandes industriais, as grandes empresas de comércio, os detentores dos grandes meios de produção e de circulação de mercadorias. A inversão da lógica “do paga quem usa, para o paga quem se beneficia” é um instrumento importante de democratização do acesso ao transporte coletivo.


Com os impostos que o povo brasileiro paga – um dos maiores do mundo –, com o que pagamos de juros, com a distrib
uição esdrúxula de renda que possuímos, com as opções políticas que isentam os empreendimentos milionários – como o “Costão Golf ” no Santinho – não há dúvidas de que é possível pensar num transporte coletivo público, gratuito e de qualidade, exatamente como deveriam ser a educação e a saúde. É possível fazê-lo! Tarifa Zero, uma das concepções estratégicas do nosso modelo de transportes!

pOr: marcelo pomar, militante do MPL-Floripa; escrito em janeiro de 2006.


sexta-feira, abril 06, 2007

Combate ao aquecimento global:
passe-livre, uma alternativa que nunca é citada.




Por Danilo Silvestre[1]


Com a divulgação do relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o aquecimento global, este tema passou a fazer parte da agenda mundial que busca formas de amenizar os problemas que são causados com o aumento da temperatura. Como se sabe, um dos principais motivos para a elevação da temperatura no planeta é a queima dos combustíveis fósseis, como a gasolina dos automóveis que circulam pelas cidades.

Para reduzir as emissões, os governos procuram aumentar o uso dos chamados biocombustíveis, como o álcool (etanol) e o biodiesel. A atitude é louvável, no entanto existem algumas críticas a esse projeto, como demonstra o artigo publicado no *site* do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). (para ler o artigo clique aqui). Mas, mais do que procurar novas tecnologias, é necessário alterar hábitos cotidianos para que exista uma redução mais significativa.

Uma dessas mudanças é a maior utilização do transporte coletivo. Só que para isso são necessários incentivos à população, já que esse tipo de transporte é caro e não é bem cuidado. Um dos incentivos possíveis é a implantação do passe-livre estudantil. Com ela haveria uma queda na circulação de carros, tanto por parte dos pais, como por parte dos estudantes universitários.

Para ilustrar, pegue-se o exemplo do Distrito Federal (DF), que segundo os dados do Departamento de Trânsito do DF (DETRAN), possui, em fevereiro de 2007, 690518 automóveis (para ver os dados clique aqui). Supondo que cada carro roda 5km por dia (150km/mês) e que com a implementação do passe-livre 1% do total dos carros (6905) deixar de circular significa que deixarão de ser emitidas 1889,21 toneladas de dióxido de carbono por mês e seriam necessárias 12595 árvores para compensar essa emissão (para ir para a página de cálculo clique aqui).

Além da redução das emissões de dióxido de carbono e do consumo de combustíveis fósseis, a implantação do passe-livre provavelmente trará outros benefícios como a redução dos engarrafamentos, diminuição dos gastos públicos com vítimas da violência no trânsito e redução de atropelamentos.

Neste sentido, é importante que o passe-livre estudantil seja visto como algo maior do que uma reivindicação da juventude das cidades brasileiras, e sim como uma política de várias faces, como a de democratizar o acesso à educação formal e à cultura, a de melhorar a condição de tráfego e de estacionamentos nas cidades, melhoria nos gastos públicos de saúde pública e, é claro, de política ambiental, que é o foco deste artigo. Por isso, é relevante que os governantes, deputados estaduais, distritais, vereadores e universidades façam um levantamento mais aprofundado sobre a implantação do passe-livre e que leve em conta o maior número possível de variáveis. Os estudantes e o planeta Terra agradecem.


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[1]Danilo Silvestre é bacharel em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda. Ex-militante da ENECOS. Estudante de Ciência Política e militante do Movimento Instinto Coletivo