quinta-feira, julho 09, 2009

Rebeldias, lutas e passe livre - uma história a se refletir

(Texto publicado no Jornal "Passe, livre, sem limites" 01)
Mandela Pereira Loureço

A pauta do passe livre ou meia passagem para estudantes é muito antiga. Já em 1918 estudantes de córdoba (Argentina) reivindicavam o passe livre em uma ocupação universitária. Em diferentes países da América Latina (Chile, Bolívia, Venezuela, Equador, Argentina) temos notícias de lutas semelhantes no decorrer da história. No Brasil a pauta já foi apresentada por diversas entidades estudantis desde no mínimo 60 anos atrás. O legado destas lutas é de tamanha relevância que cidades como Rio de Janeiro e Cuiabá já tem passe livre para setores estudantis há algumas décadas.

Geralmente estas lutas apresentam uma argumentação comum: a/o estudante não deve pagar para chegar à escola, dado que a educação pública e gratuita é um direito e deve ser assegurada pelo estado - faz-se a vinculação de educação e transporte, prevalecendo a educação na mobilidade urbana.

No do MPL desenvolvemos esta linha, ampliando a discussão em dois sentidos: entendemos a educação como um bem social assim como saúde, saneamento básico, moradia e cultura, pensando no amplo direito à cidade. Transporte para nós é também um bem essencial para as cidades, estando inserido em um amplo debate sobre a mobilidade urbana, que é a circulação livre dos serviços, bens e das pessoas na cidade - por isso o transporte não pode ser uma mercadoria (viver em função do lucro empresarial). Simplificando, o MPL luta pra que todo mundo possa ir à escola, hospital, teatro, biblioteca e que a biblioteca, teatro, escola e hospital também estejam em vários pontos da cidade sem centralização.

Além disso, damos uma tônica antisistêmica à luta, buscando reconhecer quais contradições da sociedade capitalista enfrentamos na nossa realidade. O racismo está presente, pois transporte é uma forma de segregação social. O machismo também, pois a mobilidade necessária é restringida pelos perigos que mulheres enfrentam ao andarem sozinhas pelas ruas a noite, por exemplo. E sabemos também que hospitais e escolas hoje servem mais pros patrões que pra população, e por isso lutamos por outra forma de organização da sociedade.

O Passe Livre Estudantil (P.L.E.) é, em nossa leitura, um começo de uma discussão mais ampla de sociedade, e deve estar orientado por alguns princípios. O MPL lançou em 2004 no DF o passe livre com base em alguns presuspostos: 1) o estado deveria pagar inteiramente a passagem, para acabar com o rateio entre outrxs usuários/as da meia passagem (reduzindo a tarifa); 2) o passe livre para além do trajeto casa-escola-casa, em qualquer horário, dia da semana ou ano, sem distinção de "quando-onde-como-porque", pensando a educação ampla do direito à cidade; 3) O P.L.E. é para toda e qualquer estudante, em qualquer grau; 4) não tem porque alguém perder o direito por conta de burocracias estatais ou de suposto "uso indevido" do passe livre, pois circular pela cidade, em qualquer situação, é exercer o direito a ela, não há nada de indevido nisso.

Fizemos, todavia, a vinculação constante da luta pelo passe livre à luta contra este sistema de transportes mercadológico, denunciando a sua forma arbitrária de organização. Em diversos momentos a luta do passe livre foi convertida em luta contra o aumento das passagens, e vice-versa. Desta vinculação do específico com o geral, do passe livre até os transportes e dos transportes até a sociedade é que intervimos na conjuntura do DF e Brasil.

Outros projetos de passe livre surgiram na sociedade, contemplando parcial ou totalmente estas perspectivas apresentadas. foram o passe social, o passe livre só casa-escola-casa, o passe livre só para escola pública secundarista, o passe livre com subsídio de só um terço pelo estado, e agora esse passe livre com lucro para os empresários. Apesar das diferentes justificativas todos estes projetos mantiveram preconceitos e restrições à idéia central de que o transporte é um direito social e, para ser público, tem que ser pago totalmente pelo estado por meio da receita dos impostos - em especial da parcela mais rica da sociedade. Também por isso permanecemos sempre apresentando nossas concepções de forma autônoma, independente e radicalizada.

Nossas inspirações locais pra realizarmos esta forma de luta no DF vieram, certamente, de muitas teorias, práticas sociais e outros movimentos políticos relevantes. Em especial duas recentes mobilizações formaram um certo paradigma pra gente: a Revolta do Buzú (Salvador, 2003) e a Revolta da Catraca (Florianópolis, 2004 e 2005). Trataram-se de fatos marcantes em que a população saiu às ruas em rebeldia e radicalização, alcançando parcial ou totalmente seus objetivos.

Os exemplos de Salvador e Floripa se converteram em mitos folclóricos para nossa luta - pois geralmente só relatávamos as partes convenietes da história daquelas complexas lutas. Elas também deixaram para nós um paradigma de conquista do passe livre: cercariamos a camara dos deputados ou o prédio do executivo com uma enorme mobilização, intimidariamos o governo que amedrontadíssimo implementaria o passe livre, com a faca na garganta. Nossas pretensões tinham então muito de heroísmo e relações simplistas de causa e efeito.

Essas imagens fantasiosas também ocorreram porque quando iniciamos a construção do Movimento Passe Livre no DF havia - como ainda há - mais que a vontade da conquista da pauta. Pelas nossas pretensões gerais de transformação revolucionária da realidade, por sermos novas agentes na sociedade e na luta de classes, nossa perspectiva era também de realizar a conquista unicamente pelos meios radicais que implementamos na luta. Era certamente uma mentalidade de guerra - necessária em vários momentos, mas não pro cotidiano da luta. Acredito, com um pouco de ironia, que estas pretensões de ser rambo não se sustentaram, pois inclusive este simpático ícone é uma representação de muito do que negamos - é a figura do heróico ocidental, machista, racista e imperial. Certamente a precisávamos de outras figuras pro nosso imaginário, pois a luta por um mundo novo não é feita em capítulos ou narrativas de começo, meio e fim bem definidas. E as personagens são complexas e contraditórias, necessariamente.

Mas nossa trajetória não foi só esse desespero sonhador. Realizamos importantes lutas e reconstruímos diferentes significações na cidade tanto nos transportes como também contribuímos para a cultura geral de lutas dos movimentos sociais na cidade. O MPL, junto com vários outros movimentos, participou da retomada de conceitos como ação direta, horizontalidade, rebeldia e irreverência na luta. Também aqui ajudamos a desenvolver alguns conceitos de luta política na cidade, como Catracaços, Escrachos, Ressignificações Urbanas, Okupas, entre outras. O nosso Exército Revolucionário Insurgente de Palhacis (E.R.I.P.), talvez seja a maior expressão disso tudo. Mas voltemos ao passe livre, que ainda estamos por conquistar de fato.

O caminho trilhado pelo MPL foi diferente da velocidade, radicalidade e causalidade que projetamos: no fim das contas, os conceitos "radicais e rebeldes" que apresentamos à sociedade foram incorporados em boa medida pelas instituições contra as quais lutamos. E, contraditoriamente, fomos ganhando espaço e respeito dentro de diversos espaços do sistema vigente. Assim, nossa ampla aceitação e reverência em espaços contraditórios da sociedade, como Universidades, Parlamento, Partidos políticos, Organizações burocráticas e até mesmo da mídia capitalista (que usa nossas manifestações e pautas como espetáculo para vender jornais), gerou a pressão social necessária para que a pauta avançasse. Mais que isso, o próprio poder executivo e o empresariado dos transportes assumem agora nossa pauta, porém dando uma roupagem e configuração que possibilite o maior lucro e projeção política.

Mas que situação! Pelo relato desenvolvido até agora parece que a forma e conteúdo da nossa luta estão sendo assimilados pela sociedade, e nossa proposta política apropriada pelos inimigos de classe. Mas o grande desafio é justamente esse, dado que um movimento que resiste no decorrer do tempo enfrenta momentos complexos. Nossa situação agora se recheia de contradições: não podemos, como muitos movimentos fazem, seguir da vitória parcial à acomodação ao sistema. As contradições que geramos à sociedade capitalista por meio da luta do passe livre deram um saldo importante. Mas trata-se agora de gerar novas contradições e insistir nas que não foram vencidas ainda - daí partimos à luta pela tarifa zero, para ampliar a discussão que iniciamos. Mais que isso, nossa organização e formas de trabalho não se alteraram: ainda somos um movimento que busca construir desde dentro aquele mundo novo que projetamos, e nossa principal forma de luta ainda é a ação direta. O nosso fim, como já apresentado, ainda é uma vida sem catracas, libertária. Até lá ainda falta um longo caminho. Dado que já o iniciamos e tudo que fizemos, interromper esta caminhada será muito pior que prossegui-la.

sábado, junho 27, 2009

ATUALIZADO Baixe aqui o Jornal Passe (livre, sem limites)

Baixe aqui o Jornal Passe (livre, sem limites) para impressão, com diversos artigos sobre a aprovação do Passe Livre Estudantil.
Essa publicação é mais um passo que damos na luta por uma cidade nossa. Nela, escrevemos algumas de nossas análises e perspectivas da vida que virá. Escrevemos, também algumas mensagens.
Leia e distribua!

Passe Livre aprovado na Câmara

(Texto escrito no dia 23 de Junho, logo após a aprovação do Passe Livre na Câmara)

Após horas assistindo ao espetáculo da votação da Câmara Legislativa, escrever qualquer coisa não é tarefa fácil. Entidades fantasmas, falas a favor de quem antes era contra, comentários pomposos sobre o Movimento Passe Livre, tentativas de lucrar ao máximo com esse mais novo direito.

Depois de tudo isso, algumas certezas.

A primeira delas é de que este foi o momento menos importante em nossos 5 anos de luta. É claro que a aprovação do Passe Livre é importante. Mas esta aprovação não começou hoje, ou nas audiências públicas, e menos ainda no gabinete do GDF. Todo esse processo se desenvolveu fora de qualquer espaço institucional, em cenários inusitados para as politicagens que escutamos hoje. Ele aconteceu na rodoviária, tantas vezes ocupada por nossos gritos e cartazes coloridos, nas principais avenidas de Brasília, fechadas pelas correntes humanas, nas ruas do Paranoá, Taguatinga, Riacho Fundo, São Sebastião...

Também a certeza de que esse processo não acaba aqui. Antes de ser um sossega leão, como já dizemos em nossa nota, a aprovação da lei do Passe Livre estimula o Movimento, dando a todos-as nós a recompensa que só a luta pelo que acreditamos pode dar. Ao longo deste tempo, escutamos tantas vezes que era impossível conquistar o que queríamos, que às vezes até a gente parecia ficar na dúvida....


Carregamos, igualmente, a certeza de que não chegamos ainda onde queremos.

Pra começar, esse Passe Livre é incompleto. Não é irrestrito, em todos os horários e locais, como nós, que acreditamos que a educação se dá nos mais diversos espaços e que o transporte é um direito de todxs, queremos.

Tampouco podemos esquecer que o governo empresarial de Arruda, Paulo Otávio e companhia não perdeu a chance de privilegiar o lucro dos empresários. O Passe Livre que queremos reduz a tarifa, já que o governo passará a pagar o preço total da passagem dos-as estudantes, atualmente pagos pelos-as usuários-as segundo o sistema da meia passagem. Deu-se um jeito, portanto, de aumentar a passagem de uma maneira popular e a nossa emenda ao projeto que propunha essa redução nem chegou a ser mencionada no plenário...


Cara a cara com essa conquista, vemos como nossas concepções avançaram desde que começamos a ocupar ruas reivindicando o Passe Livre. Hoje só a gratuidade estudantil nos parece insuficiente: para que o transporte seja público de fato, ninguém deve pagar a tarifa. Ela deve ser paga indiretamente, através de impostos, como todo direito. O nome dessa proposta é Tarifa Zero, e é ela que levantamos agora em busca do nosso direito de caminhar, colorir, transformar a cidade.

Para nossxs compas, a alegria compartilhada da primeira de muitas conquistas. Para os nossos inimigos, o aviso de que as ruas serão sempre ocupadas enquanto essa cidade não for de fato nossa....

O distúrbio tá só começando....

Movimento Passe Livre-DF


segunda-feira, junho 22, 2009

Votação do Projeto de Lei do Passe Livre


Amanhã é a votação do Projeto de Lei do Passe Livre. Primeiro, o projeto vai ser votado e em seguida suas emendas, entre elas muitas feitas por nós do Movimento Passe Livre. É muito importante estar presente o maior número de pessoas possíveis, já que nossa presença significa pressão para os deputados votarem a favor de emendas como o passe livre no fim de semana, da redução da passagem em decorrência do fim do pagamento pelxs usuárixs dos dois terços da passagem estudantil, etc.Temos que estar todxs lá, para garantir a nossa vitória!

Ah! A gente já apanhou, foi presx, ocupamos órgãos públicos, fechou rua.... tudo isso pelo passe livre! Ir até a Câmara a essa altura do campeonato não vai custar nada né!

23 de JUNHO, 15hrs, Câmara Legislativa (perto do extra da asa norte)
apitos, cornetas, faixas, bandeiras, batuques são bem vindos!

Por uma vida sem catracas! Passe Livre Já!

Movimento Passe Livre Df


quinta-feira, junho 11, 2009

Fique livre pra passar e ultrapasse o passe livre!

Distrito Federal, 09/06/09

Comunicado do Movimento Passe Livre do DF sobre a proposta do

passe livre estudantil pelo governo


Em uma jocosa cerimônia organizada na Câmara Legislativa do Distrito Federal dia 20/05/2009 foi entregue pelo poder executivo ao legislativo uma proposta do GDF de passe livre para estudantes. Ela, segundo dizem, será votada em breve pelos deputados distritais do DF. A repentina proposta do GDF pegou muitos e muitas no contrapé. O evento fantasioso da entrega do projeto - composto por holofotes, paparicagens e tratos falsos - deixou muita gente de queixo caído, pensando "caramba, meus inimigos/as agora concordam comigo. Eles e elas avançaram ou fui eu que virei conservador (a)?"

Nós do Movimento Passe Livre do Distrito Federal (MPL-DF), que nos últimos cinco anos lutamos nessa causa achamos que temos uma avaliação importante para compartilhar. Então, acerca deste projeto de passe livre, aparentemente surpreendente, o MPL-DF entende que:


* O Passe Livre estudantil é, sem sombra de dúvidas, uma vitória dos movimentos que há décadas apresentam esta pauta como alternativa aos transportes e incentivo à educação. Para nós do MPL-DF - que realizamos o debate do passe livre estudantil nacional e localmente por meio de nossas ações diretas - é evidente que esta proposta manteve-se viva na agenda política principalmente por que em sua defesa órgãos públicos foram ocupados, ruas foram fechadas e mobilizações de todos os tipos foram feitas. O passe livre existe hoje como realidade política porque foi, no passado, uma proposta ousada apresentada por diferentes grupos. Assim, saudamos com nosso sarcasmo todos e todas que, nesse passado, nos chamaram de inconseqüentes e malucos/as por propormos o passe livre e que hoje abraçam com unhas e dentes o projeto - talvez como única forma de manterem-se vivos politicamente. Os Governos do Distrito Federal, em especial, merecem este nosso deboche. Blé!

* Assim como nós, vários outros grupos e movimentos realizaram movimentações dos mais diferentes tipos, sentimentos e formas lutando por esta e outras pautas comuns. Isso porque aqui o transporte coletivo, a mobilidade urbana e o direito à cidade são piadas de mau gosto. Isso porque este Distrito se esforçou por manter separadíssimas as pessoas, segregando-as de modo que as máximas do movimento manguebeat "os de cima sobem e as/os de baixo descem; sempre uns com mais e outros/as com menos" são boas para descrever a realidade local. São igualmente inspiradoras as palavras do Movimento Hip Hop quando afirma que "A mente voltada pro bem o tornará poderoso, dando forças pra sair do círculo vicioso; sub-raça é a puta que pariu; Revolucionárias do Brasil! Fogo no pavio!"

* Nas últimas décadas o sistema de transportes do DF seguiu a lógica geral da segregação urbana. O transporte coletivo, entendido “pelos de cima” como mercadoria, funcionou e funciona como os grandes latifúndios improdutivos: alguns pequenos grupos de coronéis lucram horrores com a necessidade de ir e vir mantendo o serviço ruim, perigoso e estressante; governos seguidamente privilegiam as empresas privadas às públicas; usuários/as pagam caro pra andar mal; trabalhadores/as rodoviários/as e metroviários/as em péssimas condições salariais e de carga de trabalho. Quando começamos nossas movimentações, em 2004, esse foi o cenário que enfrentamos. E as diversas lutas que fizemos terminaram de deslegitimar essa forma de se organizar os transportes. Tanto foi que nas últimas eleições todas as candidaturas apresentaram planos, fantasias e promessas de mudança do sistema de transporte coletivo, dado que a pressão popular tornava necessárias respostas sobre o assunto. Incluíram, inclusive, o passe livre estudantil ou social em várias plataformas eleitorais.

* Agora vem o pulo do gato: com o fracasso parcial do neoliberalismo dos transportes - apelidado de Brasília Integrada - o governo em sua ânsia de apelo social recorre às agendas de impacto e apoio popular, as mesmas que ele antes rejeitou. O maldito, mal falado, malquisto e aparentemente derrotado passe livre ressurge das cinzas, como a mais bela das fênix libertárias. O mesmo GDF que chamou de inconseqüente o passe estudantil, que antes tratou o passe livre como inconstitucional, que mandou a polícia reprimir e prender manifestantes rebeldes reapresenta este projeto em um ato de desespero e reconhecimento do quão justa e eficaz era – e é – nossa pauta. Mas, na leitura deles, o passe livre é eficaz para sustentar re-eleições, e justo porque amansa o empresariado dos transportes com o benefício indireto que eles propõem - já que querem pagar às empresas o valor total sem diminuir das passagens o preço que passageiras e passageiros pagavam pela meia passagem estudantil. Assim quer o governo fazer do passe livre para estudantes um aumento de lucro dos empresários, tipo um aumento indireto das tarifas. Mas, acreditem, os poderosos acabarão pagando gata por lebre, pois o povo não é bobo. Nós gatas nascemos pobres, porém livres!

* E, podem ter certeza, nossa luta não acaba aí. A conquista do passe livre, longe de ser um sossega leão, serve como incentivo à luta. O passe livre, demanda que veio de baixo e à esquerda, é mais uma prova concreta de que a luta social é válida e tem resultados, de que o poder do povo pode e vai fazer um mundo novo. É, porém, só o começo de um longo caminho que temos a trilhar. Além de esse passe livre ser todo restrito (burocrático, só no trajeto casa-escola-casa, no período letivo), almejamos muito mais. Nossa pauta hoje é mais ampliada: queremos que o transporte coletivo seja pago pelos impostos de todos e todas, de modo que ninguém precise pagar passagens na hora do uso – seria a tarifa zero. Nossa proposta de sociedade... bem, vocês sabem, nunca fomos muito de ousadias, só queremos que a sociedade seja justa, sem capitalismo nem qualquer outra forma de opressão. É simples assim.

* Vale lembrar que até o momento, em relação a esta proposta, não temos nenhuma conquista concreta: continuamos no campo das palavras e papéis. O governo agora fala usando as linguagens do movimento, os deputados agora afirmam que em breve a proposta será aprovada, os técnicos dizem ser esta uma questão de fácil aplicabilidade. Mas o direito ainda não foi implementado, e não faltaram oportunidades para tanto: outros projetos de passe livre já foram apresentados e rejeitados pelo no passado recente.


* E, por fim, como dissemos quando um desses foi aprovado, em 2005 "Se as autoridades, entretanto, acharam que iam nos calar aprovando esse projeto, se enganaram. Se acharam que íamos parar de lutar contra os abusos empresariais nos transportes, sua análise foi equivocada. Se acharam que, com esse pequeno avanço, iam evitar que a rebelião que vem ocorrendo em todo país atingisse a capital nacional, sentimos muito em informar mas, mais uma vez, nos subestimaram. Se, ao contrário, embora duvidemos, as autoridades aprovaram o projeto por achá-lo justo e necessário para a população, precisamos informá-los que, para alcançar o que é justo e necessário ainda há muito por fazer, e esse passe livre estudantil é apenas um começo. Nós, do Movimento Passe Livre, reafirmamos a nossa disposição e (mais que isso) a necessidade de continuar lutando, Não sossegaremos enquanto o transporte que alguns chamam de público não possa ser, de fato, assim chamado por todos/as. Enquanto o transporte coletivo e a sociedade não tiverem seus funcionamentos absolutamente alterados para uma lógica popular, as ruas ainda correm o risco de serem fechadas, os órgãos públicos não estão a salvo de serem ocupados, os ônibus ainda correm o risco de um catracaço iminente, etc. Por isso, como sempre dizemos (o) amanhã vai ser maior. As mobilizações, passeatas e atos continuam e o MPL mantém sua disposição de luta na sociedade, por uma vida sem catracas. Já fizemos muito, mas ainda temos muito mais o que fazer. O distúrbio está só começando..."


"Passe, passe, passe livre sem limites: fique livre pra passar e ultrapasse o passe livre!" (Ciclovida).


Por uma vida sem catracas!
Movimento Passe Livre do Distrito Federal

segunda-feira, junho 08, 2009

Adeus, General Motors

reflexão interessante sobre a falência da General Motors e sobre a oportunidade de priorizar outro tipo de transporte que não o carro. Sempre com as devidas ressalvas: o programa de "sustentabilidade" é suficiente para acabar com as injustiças?que sustentabilidade faz sentido dentro do sistema capitalista?

Michael Moore


Escrevo na manhã que marca o fim da toda-poderosa General Motors. Quando chegar a noite, o Presidente dos Estados Unidos terá oficializado o ato: a General Motors, como conhecemos, terá chegado ao fim.

Estou sentado aqui na cidade natal da GM, em Flint, Michigan, rodeado por amigos e familiares cheios de ansiedade a respeito do futuro da GM e da cidade. 40% das casas e estabelecimentos comerciais estão abandonados por aqui. Imagine o que seria se você vivesse em uma cidade onde uma a cada duas casas estão vazias. Como você se sentiria?

É com triste ironia que a empresa que inventou a “obsolescência programada” – a decisão de construir carros que se destroem em poucos anos, obrigando o consumidor a comprar outro – tenha se tornado ela mesma obsoleta. Ela se recusou a construir os carros que o público queria, com baixo consumo de combustível, confortáveis e seguros. Ah, e que não caíssem aos pedaços depois de dois anos. A GM lutou aguerridamente contra todas as formas de regulação ambiental e de segurança. Seus executivos arrogantemente ignoraram os “inferiores” carros japoneses e alemães, carros que poderiam se tornar um padrão para os compradores de automóveis. A GM ainda lutou contra o trabalho sindicalizado, demitindo milhares de empregados apenas para “melhorar” sua produtividade a curto prazo.

No começo da década de 80, quando a GM estava obtendo lucros recordes, milhares de postos de trabalho foram movidos para o México e outros países, destruindo as vidas de dezenas de milhares de trabalhadores americanos. A estupidez dessa política foi que, ao eliminar a renda de tantas famílias americanas, eles eliminaram também uma parte dos compradores de carros. A História irá registrar esse momento da mesma maneira que registrou a Linha Maginot francesa, ou o envenenamento do sistema de abastecimento de água dos antigos romanos, que colocaram chumbo em seus aquedutos.

Pois estamos aqui no leito de morte da General Motors. O corpo ainda não está frio e eu (ouso dizer) estou adorando. Não se trata do prazer da vingança contra uma corporação que destruiu a minha cidade natal, trazendo miséria, desestruturação familiar, debilitação física e mental, alcoolismo e dependência por drogas para as pessoas que cresceram junto comigo. Também não sinto prazer sabendo que mais de 21 mil trabalhadores da GM serão informados que eles também perderam o emprego.

Mas você, eu e o resto dos EUA somos donos de uma montadora de carros! Eu sei, eu sei – quem no planeta Terra quer ser dono de uma empresa de carros? Quem entre nós quer ver 50 bilhões de dólares de impostos jogados no ralo para tentar salvar a GM? Vamos ser claros a respeito disso: a única forma de salvar a GM é matar a GM. Salvar a preciosa infra-estrutura industrial, no entanto, é outra conversa e deve ser prioridade máxima.

Se permitirmos o fechamento das fábricas, perceberemos que elas poderiam ter sido responsáveis pela construção dos sistemas de energia alternativos que hoje tanto precisamos. E quando nos dermos conta que a melhor forma de nos transportarmos é sobre bondes, trens-bala e ônibus limpos, como faremos para reconstruir essa infra-estrutura se deixamos morrer toda a nossa capacidade industrial e a mão-de-obra especializada?

Já que a GM será “reorganizada” pelo governo federal e pela corte de falências, aqui vai uma sugestão ao Presidente Obama, para o bem dos trabalhadores, da GM, das comunidades e da nação. 20 anos atrás eu fiz o filme “Roger & Eu”, onde tentava alertar as pessoas sobre o futuro da GM. Se as estruturas de poder e os comentaristas políticos tivessem ouvido, talvez boa parte do que está acontecendo agora pudesse ter sido evitada. Baseado nesse histórico, solicito que a seguinte ideia seja considerada:

1. Assim como o Presidente Roosevelt fez depois do ataque a Pearl Harbor, o Presidente (Obama) deve dizer à nação que estamos em guerra e que devemos imediatamente converter nossas fábricas de carros em indústrias de transporte coletivo e veículos que usem energia alternativa. Em 1942, depois de alguns meses, a GM interrompeu sua produção de automóveis e adaptou suas linhas de montagem para construir aviões, tanques e metralhadoras. Esta conversão não levou muito tempo. Todos apoiaram. E os nazistas foram derrotados.

Estamos agora em um tipo diferente de guerra – uma guerra que nós travamos contra o ecossistema, conduzida pelos nossos líderes corporativos. Essa guerra tem duas frentes. Uma está em Detroit. Os produtos das fábricas da GM, Ford e Chrysler constituem hoje verdadeiras armas de destruição em massa, responsáveis pelas mudanças climáticas e pelo derretimento da calota polar.

As coisas que chamamos de “carros” podem ser divertidas de dirigir, mas se assemelham a adagas espetadas no coração da Mãe Natureza. Continuar a construir essas “coisas” irá levar à ruína a nossa espécie e boa parte do planeta.

A outra frente desta guerra está sendo bancada pela indústria do petróleo contra você e eu. Eles estão comprometidos a extrair todo o petróleo localizado debaixo da terra. Eles sabem que estão “chupando até o caroço”. E como os madeireiros que ficaram milionários no começo do século 20, eles não estão nem aí para as futuras gerações.

Os barões do petróleo não estão contando ao público o que sabem ser verdade: que temos apenas mais algumas décadas de petróleo no planeta. À medida que esse dia se aproxima, é bom estar preparado para o surgimento de pessoas dispostas a matar e serem mortas por um litro de gasolina.

Agora que o Presidente Obama tem o controle da GM, deve imediatamente converter suas fábricas para novos e necessários usos.

2. Não coloque mais US$30 bilhões nos cofres da GM para que ela continue a fabricar carros. Em vez disso, use este dinheiro para manter a força de trabalho empregada, assim eles poderão começar a construir os meios de transporte do século XXI.

3. Anuncie que teremos trens-bala cruzando o país em cinco anos. O Japão está celebrando o 45o aniversário do seu primeiro trem bala este ano. Agora eles já têm dezenas. A velocidade média: 265km/h. Média de atrasos nos trens: 30 segundos. Eles já têm esses trens há quase 5 décadas e nós não temos sequer um! O fato de já existir tecnologia capaz de nos transportar de Nova Iorque até Los Angeles em 17 horas de trem e que esta tecnologia não tenha sido usada é algo criminoso. Vamos contratar os desempregados para construir linhas de trem por todo o país. De Chicago até Detroit em menos de 2 horas. De Miami a Washington em menos de 7 horas. Denver a Dallas em 5h30. Isso pode ser feito agora.

4. Comece um programa para instalar linhas de bondes (veículos leves sobre trilhos) em todas as nossas cidades de tamanho médio. Construa esses trens nas fábricas da GM. E contrate mão-de-obra local para instalar e manter esse sistema funcionando.

5. Para as pessoas nas áreas rurais não servidas pelas linhas de bonde, faça com que as fábricas da GM construam ônibus energeticamente eficientes e limpos.

6. Por enquanto, algumas destas fábricas podem produzir carros híbridos ou elétricos (e suas baterias). Levará algum tempo para que as pessoas se acostumem às novas formas de se transportar, então se ainda teremos automóveis, que eles sejam melhores do que os atuais. Podemos começar a construir tudo isso nos próximos meses (não acredite em quem lhe disser que a adaptação das fábricas levará alguns anos – isso não é verdade)

7. Transforme algumas das fábricas abandonadas da GM em espaços para moinhos de vento, painéis solares e outras formas de energia alternativa. Precisamos de milhares de painéis solares imediatamente. E temos mão-de-obra capacitada a construí-los.

8. Dê incentivos fiscais àqueles que usem carros híbridos, ônibus ou trens. Também incentive os que convertem suas casas para usar energia alternativa.

9. Para ajudar a financiar este projeto, coloque US$ 2,00 de imposto em cada galão de gasolina. Isso irá fazer com que mais e mais pessoas convertam seus carros para modelos mais econômicos ou passem a usar as novas linhas de bondes que os antigos fabricantes de automóveis irão construir.

Bom, esse é um começo. Mas por favor, não salve a General Motors, já que uma versão reduzida da companhia não fará nada a não ser construir mais Chevys ou Cadillacs. Isso não é uma solução de longo prazo.

Cem anos atrás, os fundadores da General Motors convenceram o mundo a desistir dos cavalos e carroças por uma nova forma de locomoção. Agora é hora de dizermos adeus ao motor a combustão. Parece que ele nos serviu bem durante algum tempo. Nós aproveitamos restaurantes drive-thru. Nós fizemos sexo no banco da frente – e no de trás também. Nós assistimos filmes em cinemas drive-in, fomos à corridas de Nascar ao redor do país e vimos o Oceano Pacífico pela primeira vez através da janela de um carro na Highway 1. E agora isso chegou ao fim. É um novo dia e um novo século. O Presidente – e os sindicatos dos trabalhadores da indústria automobilística – devem aproveitar esse momento para fazer uma bela limonada com este limão amargo e triste.

Ontem, a última sobrevivente do Titanic morreu. Ela escapou da morte certa naquela noite e viveu por mais 97 anos.

Nós podemos sobreviver ao nosso Titanic em todas as “Flint – Michigans” deste país. 60% da General Motors é nossa. E eu acho que nós podemos fazer um trabalho melhor.



Audiência sobre os problemas do transporte coletivo no Distrito Federal, da qual o MPL-DF participou.

Dia Mundial Sem Carro - Vídeo



Vídeo sobre a bicicletada no Dia Mundial Sem Carro

Dia Nacional de Luta pelo Passe livre - Vídeo



Vídeo sobre a manifestação do Dia Nacional de luta pelo Passe Livre, em Taguatinga.

sábado, outubro 25, 2008

TARIFA ZERO!

Entrevistas e vídeos sobre o Tarifa Zero:



sexta-feira, outubro 24, 2008

Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre


Grande Carnaval Fora de época do Movimento Passe Livre -DF
A mais tradicional Festa de rua da Cidade!


dia 30/10 as 17hrs, na Praça do Relógio, Taguatinga.
* ponto de Encontro pra quem tiver saindo do plano ou das cidades ao norte: 16hrs, Conic, Praça Vermelha.


Em que cidade você quer viver?
Uma cidade cheia de carro (já são mais de 1 milhão!), de engarrafamento, com estacionamentos no lugar de praças ?

Numa cidade em que os/as mais pobres são cotidianamente expulsos/as? Que o último ônibus é o mesmo que um toque de recolher? Que só permite que estejamos nela para trabalhar, mas não para desfrutar do que construímos?

Numa cidade em que o ônibus caro, cada vez mais caro, serve como controle de quem frequenta e quem não frequenta o centro? Numa cidade onde dizem que tá tudo melhorando, mas na verdade a gente tá pagando por tudo duas vezes e ainda nos endividando? Numa cidade em que reduzir a tarifa não é investimento público mas prejuízo?

Vamos mostrar para o senhor Urtiga, Paulo Otário, Sec. Praga e sua trupe que a cidade é nossa, não dos imobiliários. Que eles que venham com aumento de metrô e microônibus pra ver o que acontece! Que na nossa cidade as ruas são livres para festejar. Que a nossa cidade a gente constrói na luta!






Um clipping assustador: aumento de tarifas, empresários lucrando e tudo mais

No dia 21, três notícias assustadoras foram vinculadas no correioweb. Três sinistras notícias sobre o sistema de transportes: uma falando que o governo tá cobrando que motoristas/cobradorxs utilizem o cartão "difícil" pra entrarem nos busão. A categoria tá recusando, claro, pq sabe que esse controle das viagens é pretexto pra retirar o passe livre deles/as. A outra notícia fala que a camara legislativa, dominada pelo gdf, aprovou os empréstimos do BID pro brasília integrada. Leia-se: a CLDF aprovou um enorme endividamento público com um órgão internacional. Quem vai pagar? O povo, claro! A terceira e última e aterradora notícia é de que o Secretário Praga tá convencido a aumentar o metrô e o micro-ônibus em 50%! Lá vem mais um aumento, e lá vem mais luta... com o que acumulamos nas lutas passadas mais estas agora é possível que evitemos este aumento, que tal?

Voltando à análise, vale pontuar algumas coisas: esse aumento dos microônibus é absurdo, pq o serviço todo que foi retirado, gerando desemprego, vinha sob a desculpa de "racionalização" do serviço. Mas que porra de racionalização é essa que encarece mais? E, segundo, a justificativa do Praga pra aumentar o metrô é de que o metrô tem prejuizo de 14 milhões. Mas não é uma empresa do estado? Então quer dizer que 14 milhões que o governo investe pra reduzir as tarifas é prejuizo? A disputa sobre este aumento tá justamente aí, na luta pelo passe livre universal (tarifa zero!). A nossa contra-proposta a este aumento do metrô é de que ele seja gratuito, pois é investimento público pra melhoria da vida das pessoas.

Enfim... quinta-feira que vem - dia 30 - tem ato do MPL-DF, lá na praça do relógio. Vamos comparecer, né?


Leia abaixo alguns trechos das notícias:

Secretaria exige que funcionários usem cartão eletrônico

Em resposta à assembléia realizada pelo Sindicato dos Rodoviários do DF, a Secretaria de Transporte se pronunciou nesta terça-feira (21/10) sobre a necessidade dos usuários, inclusive os rodoviários, de passarem pela catraca eletrônica quando utilizarem o transporte público.

Na última quinta-feira (16/10), os rodoviários optaram por não usar o cartão. Segundo a categoria, o acordo do passe livre sempre existiu, mas com o antigo sistema era feito pela porta do desembarque dos ônibus. No entanto, o órgão passou a exigir com a bilhetagem eletrônica que os rodoviários deveriam passar pela roleta com os cartões.

O sindicato argumenta que os bilhetes eletrônicos servem também como forma de controle da jornada de trabalho dos rodoviários. A categoria teme que, por meio desse controle, seja imposto um limite de viagens e os funcionários acabem punidos de alguma forma. “Vão começar a dizer que estamos usando demais e isso não foi bem visto pela categoria”, explicou Lúcio Lima, chefe de comunicação do sindicato.

A medida está em vigor desde o dia 10 agosto. No dia 13 deste mês foi encaminhado aos rodoviários um documento reafirmando a determinação. A secretaria afirma que a desobediência do sindicato não é aceita legalmente e que o planejamento e a gestão do transporte no DF são de competência exclusiva do órgão.

De acordo com a secretaria, se alguém for flagrado descumprindo a norma, duas multas serão aplicadas para a empresa no valor de R$ 240 a R$ 1.080 cada, sendo que na notificação constará o número do registro do motorista e/ou cobrador.

O sindicato avisa que não pretende recuar da decisão. “Contamos com a presença de mais mil rodoviários na assembléia. Eles optaram por isso”, informou Lima, acrescentado que o sindicato não aceitará ver nenhum rodoviário punido. “O primeiro rodoviário que for multado vamos paralisar as atividades".


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Câmara Legislativa aprova empréstimos para o Brasília Integrada

A Câmara Legislativa aprovou em primeiro turno, nesta terça-feira (21/10), dois projetos de lei que autorizam o Governo do Distrito Federal (GDF) a contratar empréstimos para o programa de transportes Brasília Integrada. Ao todo, o endividamento é de aproximadamente R$1,35 bilhões.

Os montantes são destinados a duas iniciativas. Uma delas é a implantação do programa de Veículos Leves sobre Trilhos (VLT) que liga o Brasília Shopping (na W3 Norte) à W3 Sul -- para tanto foi feito empréstimo junto à Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), nos valores de 134 milhões de euros e 158 milhões de dólares, respectivamente. Outro projeto que receberá os recursos é de Veículos Leves sobre Pneus (VLP), que atenderá o trecho que vai do Gama a Santa Maria. Nesse caso, o investimento de US$ 268 milhões será requisitado junto ao BID.

(...)

O deputado (que votou contra) destaca ainda que a aprovação do endividamento foi feita sem análise preliminar da Comissão de Financiamentos Externos(Cofiex), do Ministério do Planejamento. "Isso é errado, trata-se da primeira vez na história da Câmara Legislativa que esse tipo de aprovação é feita sem o aval da Cofiex", afirmou. "Deveríamos esperar a situação econômica mundial se firmar para então nos comprometermos com algo desse tipo", explicou Cabo Patrício. O outro parlamentar contrário à medida foi o deputado Reguffe (PDT).

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Governo estuda reajuste das tarifas do metrô e microônibus

O governo prepara um reajuste nas tarifas do transporte público do Distrito Federal para ser aplicado até fim deste ano. A Secretaria de Transporte confirmou nesta terça-feira (21/10) que o aumento deverá incidir apenas sobre as tarifas cobradas nos microônibus e metrô. Mas a alteração ainda depende de um decreto do governador José Roberto Arruda, que aguarda um levantamento da Transporte Urbano (DFTrans) apontando os gastos mensais das empresas. O estudo irá indicar se realmente há déficit no orçamento, conforme manifestado pelos empresários do setor como o motivo para o pedido do aumento.

Caso o reajuste seja autorizado pelo governo, o preço das passagens dos microônibus deverá subir de R$ 1 para R$ 1,50. O aumento é defendido pelo secretário de transporte, Alberto Fraga. Para ele, as oito cooperativas vencedoras do processo de licitação dos microônibus não conseguem pagar as despesas com o preço atual. “Essas cooperativas estão trabalhando no vermelho. O correto seria ter colocado os microônibus já na tarifa de R$ 1,50. Mas essa decisão será tomada pelo governador", diz. A Secretaria de Transporte ainda espera colocar nas ruas até o fim do ano outros 100 microônibus. A expectativa é que eles já operem com a tarifa reajustada. Com o última remessa o governo completa a frota de 450 microônibus nas ruas do DF.

Sobre o aumento nas tarifas do metrô, a Secretaria de Transporte adiantou que o reajuste deverá ocorrer até o início de novembro. A justificativa é que o sistema funciona atualmente com as tarifas promocionais, e passaria de R$ 2 para R$ 3. “O metrô também opera com dificuldades. O prejuízo chega a R$ 14 milhões por mês”, explica o secretário Fraga, que é taxativo nos acordos firmados. "Esses aumentos deverão atingir apenas metrô e microônibus. A tarifa dos coletivos normais não sofrerá qualquer reajuste", garante.

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quinta-feira, maio 29, 2008

31 de Maio tem Bicicletada!

http://www.bicicletada-df.blogspot.com/
No próximo sábado - dia 31 de maio - participe da 2ª BICICLETADA DF!

Convide seus amigos e vamos pedalar por uma cidade com menos puluição, barulho, por um transporte público eficiente e que integre a bicicleta como opção.

CONCENTRAÇÃO: 9h
SAÍDA: 10h


LOCAL: Museu Nacional da República - Esplanada dos Ministérios



A pé, de patins, patinete, skate ou bicicleta, compareça e convide toda a vizinhança.

BICICLETADA -DF

Arruda volta a atacar o ensino público.

Retirado de http://lutaestudantil.v10.com.br/.


"Companheiros/as,

É com muito ódio no coração que venho dizer que hoje (26 de maio - segunda) nós da comunidade do CEAN - Centro de Ensino da Asa Norte recebemos da Secretaria de Educação do Distrito Federal 11 cartas de devolução de professores incluindo nestes, todos os nossos professores dos laboratórios da manhã, da tarde e da noite, tanto de Biologia, Química, Física e Informatica. O que se configura o ataque mais violento que o CEAN já sofreu em todos os anos que estudei nessa escola! Estão retirando 11 professores da escola, sendo que a 2 anos tiraram os professores de artes, ano passado diminuíram as turmas do noturno, etc./

É mais que necessário e urgente a nossa ação e a nossa união para travar uma guerra contra essa política educacional que vem fazendo o Governo Arruda, pois o que acontece hoje no CEAN é fruto de uma política neoliberal que fica ainda mais clara se olharmos para as tantas escolas públicas que estão sendo fechadas, para a precarização da educação com o Tele-curso da Globo, para as escolas sem verba e sem estrutura para oferecer uma educação de qualidade, dentre diversos outros fatores que acabam dia após dia com nossas esperanças!

Por isso faço um chamado para todos os lutadores/as, estudantes, professores, pais, trabalhadores e todos aqueles que buscam DESTRUIR ESSA POLÍTICA NEOLIBERAL PARA A EDUCAÇÃO! De se unir a essa luta, que se fará no enfrentamento nas ruas, a estar organizando a luta nas suas escolas (através de grêmios, assembléias, núcleos de base, etc) e estar entrando em contato conosco do grêmio do CEAN (gremio.cean@gmail.com) para organizar conjuntamente as lutas e batalhas que virão!

DESTRUIR A EDUCAÇÃO NEOLIBERAL!

AÇÕES PARLAMENTARES NADA MUDAM!

SÓ A AÇÃO DIRETA DECIDE!

CONSTRUIR A GREVE GERAL DA EDUCAÇÃO!"

sexta-feira, abril 18, 2008

terça-feira, abril 15, 2008

Moção de apoio à Ocupação da Reitoria da UnB

O Movimento Passe Livre DF apóia e participa da ocupação estudantil na reitoria. Entendemos que só na luta e na ação direta é possível desbancar os interesses de quem está no poder. Ao contrário das invasões do Timothy, das fundações e da polícia, @s estudant@s estão ocupando um espaço que por direito é del@s. Também concordamos com todas as pautas de reivindicação do movimento de ocupação, em especial com as que se referem ao acesso e mobilidade na UnB.
Fora reitor!
Por uma vida sem catracas, sem corrupção, pelo trânsito livre!
MPL-DF

mais informações sobre a okupação:
www.ocupacaounb.blogspot.com

terça-feira, novembro 06, 2007

Lúcio Gregóri: o direito ao transporte público e gratuito

Ex-secretário municipal de São Paulo sustenta que o transporte é um direito similar à escola pública e, que a seu exemplo, deve ser custeado pelos mais ricos

Ex-secretário municipal de São Paulo sustenta que o transporte é um direito similar à escola pública e, que a seu exemplo, deve ser custeado pelos mais ricosRenato Godoy de Toledo,
da Redação do Brasil de Fato

Inverter a lógica de que os beneficiados com o transporte coletivo são os usuários. Este é o cerne do projeto Tarifa Zero, apresentado pelo ex-secretário municipal de transportes de São Paulo, Lúcio Gregóri, durante a gestão da então petista Luiza Erundina (1989-92). O projeto foi duramente criticado pela imprensa corporativa e a oposição, além de ter sofrido resistências internas no Partido dos Trabalhadores. O projeto previa a criação de um Fundo Municipal de Transportes e acarretaria numa reforma tributária "para valer", em que os ricos arcariam com os custos da isenção do transporte para a população.

Gregóri, atualmente, concede palestras aos militantes do Movimento Passe Livre (MPL), que organizam-se nacionalmente contra os aumentos tarifários e têm como norte a constituição de um sistema de transporte público e gratuito, em que o custo da tarifa, tal como no projeto de Gregóri, seria bancado pelos que não precisam do transporte e, atualmente, se beneficiam de sua exploração.

O MPL tem feito nas últimas semanas em São Paulo atos contra o aumento das tarifas de ônibus, trem e metrô (leia mais aqui). Em entrevista ao Brasil de Fato, Gregóri deu mais detalhes sobre o seu projeto e defendeu a gratuidade do transporte, tal como na saúde e educação.

Brasil de Fato - Em que se baseia o seu projeto Tarifa Zero e quem arcaria com os seus custos?
Lúcio Gregóri -
O projeto Tarifa Zero procurava dar tratamento aos transportes públicos municipais de São Paulo igual a todos os demais serviços públicos Em nenhum deles há pagamento no ato de sua utilização e todos são pagos pelo conjunto de impostos e taxas municipais. É o caso das escolas municipais, dos postos de saúde e hospitais municipais, da construção e utilização de viadutos, ruas e avenidas da cidade etc... O único serviço pago no ato de sua utilização é o dos ônibus urbanos. O entendimento das raízes disso deve dar uma boa tese ou teoria. Para ser como os demais serviços, o projeto criava um Fundo Municipal de Transportes que tinha uma percentagem do orçamento municipal e que pagava os serviços de ônibus que passavam a serem como que fretados pela prefeitura. Tal como, por exemplo, quando a prefeitura faz um viaduto ou túnel. Paga a empreiteira ou faz por conta própria (hoje muito raramente) e não cobra do automóvel ou do pedestre que por eles passa. Como tratava-se de uma despesa a mais, a Tarifa Zero implicava numa reforma tributária, cuja proposta era de cobrar mais de quem tem mais, pouco de quem tem pouco e não cobrar de quem não tem. Nessa reforma, partia-se do conceito de que os principais beneficiários do transporte público são os proprietários das atividades econômicas da cidade e não, como difundido pela ideologia vigente, os passageiros. Portanto o projeto era, também, um projeto de reforma tributária para valer e, portanto, um projeto de reformulação de políticas públicas.

BF - Quais foram as dificuldades que o senhor enfrentou, devido ao seu posicionamento, durante a gestão Erundina?
Gregóri --
As resistências foram de todo tipo. No governo, entre os vereadores do PT, e nas instâncias partidárias. Nos outros partidos foi de luta feroz, seja por ideologia e compromissos econômicos, seja por luta contra Erundina. É claro que se o projeto fosse aprovado pela Câmara Municipal, Erundina teria uma força política poderosíssima. Por isso, dentro do PT as forças ligadas ao hoje chamado Campo Majoritário eram muito resistentes ao projeto. Lula, Genoíno e maioria do secretariado eram contrários ou resistentes ao projeto, enquanto ficaram claramente a favor do projeto, Marilena Chauí, Paul Singer [então secretários de Cultura e Planejamento, respectivamente] e Paulo Sandroni, presidente da estatal de transportes. Afinal, a proposta mexia com valores e tabus estabelecidos ideologicamente. Lula, por exemplo, disse algo como "trabalhador não precisa de ônibus de graça, ele precisa ganhar o suficiente para ter um transporte de qualidade ". Acho que ele demonstrou não só não ter entendido os fundamentos do projeto, como revelou sua efetiva visão da sociedade (meio “poliânica”, não é verdade?). A mídia e os “ (de)formadores de opinião” fizeram oposição , em alguns casos feroz e destrutiva. Os quadros do PSDB também. Na sociedade civil e órgãos de classe também. No instituto de Engenharia, ficaram efetivamente furiosos. Não sei se por eu ser engenheiro isso tornava a questão ainda mais passível de preconceitos. Ressalte-se, porém, que pesquisa feita pela Toledo e Associados mostrou que a população entendeu perfeitamente e se mostrou a favor do projeto em cerca de 65%.

BF - Qual sua posição frente ao atual sistema de concessões públicas para que empresas privadas explorem o transporte coletivo? Gregóri - Penso que o regime de concessão engessa o serviço público de duas maneiras. Simplificadamente: a concessão pressupõe o equilíbrio econômico do contrato, que é por tarifa, e portanto não haverá como aumentar muito fortemente o subsídio e, claro, implantar a gratuidade. A concessão se dá por um número elevado de anos, 15, 20, 30 anos em geral. Mas a cidade e seus transportes precisam se modificar muito rapidamente em prazos muito menores do que estes. O concessionário passa a ser um entrave a essas adaptações, pois racionalmente ele buscará sempre a maior lucratividade do seu negócio e com as menores modificações possíveis, inclusive por que é um sistema sem concorrência. Estamos assistindo aí em São Paulo a queda de braços entre empresários e população, algo que se repete interminavelmente no Brasil todo, há anos e anos. Uma boa pergunta é: porque nos Estados Unidos, capital do capitalismo e praticamente em toda a Europa os sistemas de transportes são estatais? No tempo de Erundina foi criado o Conselho Municipal de Tarifas (Comtar), que entre outras, estabelecia a planilha de custos dos ônibus da cidade. Tinham assento nesse conselho, a prefeitura, Dieese, sindicatos dos trabalhadores no setor e patronal, outros órgãos da Sociedade Civil etc... Entã,o o custo era público e transparente. Não sei como é hoje. Pela leitura da grande imprensa parece tudo muito obscuro. Para não dizer escandaloso. Só um dado: em 1992 o transporte por ônibus era atividade de mão de obra intensiva. Mais de 60% do custo por passageiro era de mão de obra. Combustíveis e lubrificante, representavam de 6 a 7%. Outro dado: em 1992 , na média a tarifa de ônibus era de 43 centavos de dólar cerca de R$ 1,00. O resto era subsidiado pela prefeitura. Será que os custos subiram tanto assim? Mas não há uma planilha pública e socialmente discutida.

link para Brasil de Fato

terça-feira, outubro 23, 2007

26 de outubro, sexta-feira: DIA NACIONAL DE LUTAS PELO PASSE LIVRE

* DIA NACIONAL DE LUTA PELO PASSE LIVRE!

* ATO EM REPÚDIO AO DESALOJO E PRISÃO ILEGAIS DA OKUPA CASA DAS POMBAS!

* CONCENTRAÇÃO DE 13H ÀS 14H NA PLATAFORMA INFERIOR DA RODOVIÁRIA DO PLANO PILOTO

* 26 DE OUTUBRO, SEXTA-FEIRA


* VENHA COM TRAJES JUNINOS! COMPAREÇA!

terça-feira, outubro 09, 2007

MPL-DF, SindMetrô E URDF organizam seminário de mobilidade urbana no DF


Com o objetivo de ampliar o debate sobre mobilidade urbana e os problemas do transporte, o Movimento Passe Livre do Distrito Federal (MPL-DF), O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô/DF) e a União dos Rodoviários do Distrito Federal (URDF - Movimento Independente) estão organizando o seminário "A decadência do Transporte Urbano do Distrito Federal", nos dias 13 e 14 de outubro de 2007 (nas manhãs e tardes de sábado e domingo), no auditório do SindMetrô. Além destas 3 organizações participarão do seminário diversos grupos e movimentos urbanos do DF.

O evento ocorre em um momento de mudanças na estrutura dos transportes do Distrito Federal. O recém eleito governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), colocou o projeto Brasília Integrada como um dos seus principais eixos de atuação: através de financiamentos de organismos multilaterais, apoio de intelectuais/técnicos de vários locais do Brasil (em especial Jaime Lerner (DEM), ex-governador do Paraná) e nova composição do patronato dos transportes na cidade, esta gestão do GDF pretende promover visíveis, mesmo que não profundas, mudanças na mobilidade da capital. Com o anunciado PAC dos transportes, o governo federal parece seguir a mesma cartilha. Já para trabalhadores e trabalhadoras, as medidas são aumento da carga horária, demissões, restrição ao direito de greve, arrocho salarial e pressão para privatização do metrô. A usuários e usuárias um transporte ainda ineficiente, caro e aumento da dívida pública (interna e externa) por conta dos empréstimos.

O seminário pretende discutir estas e outras questões, rumo à construção de um projeto político construído a partir das demandas das pessoas, impulsionado pelos movimentos sociais.
As inscrições ao seminário são gratuitas e poderão ser feitas até o dia 10/10/07 pelo telefone (61) 33224778.

http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2007/10/397392.shtml