domingo, agosto 12, 2007
Carta do MPL-DF às e aos estudantes de Pedagogia
O debate na mesa, composta por Miguel (representante da ASEMI) e pela professora Adelaide (Pedagogia/UFMA), foi de grande proveito para o MPL-DF. A ativa participação da plenária demonstrou o grande interese dos e das estudantes de pedagogia com relação à luta dos movimentos socias e constribuiu muito para o resultado final da mesa.
O espaço aberto ao MPL para a exibição dos videos também foi de grande proveito, mesmo tendo ocupado o espaço de outra atividade e as pessoas não terem sidos avisadas. Durante a exibição muitas pessoas passaram pelo local e poucas, cerca de 30, ficaram até o fim. Mas as que ficaram demonstraram grande interesse pela causa dos transportes e mobilidade e tivemos uma conversa bem legal.
Novamente agradecemos as organizadoras e aos organizadores e todxs estudantes de pedagogia.
Gostariamos de deixar o nosso contato para estreitar as relações, manter o diálogo e ampliar a luta.
site nacional: www.mpl.org.br
blog MPL-DF: vidasemcatracas.blogspot.com
e-mail MPL-DF: mpldf@riseup.net
e-mail Yuriê (MPL-DF): yuriebc.mpl@gmail.com
Não se sintam intimidados em pedir e procurar mais informações sobre o MPL.
Já aproveitamos para convidar a EXNEPe para participar do Seminário Nacional de Mobilidade Urbana que o MPL-DF está organizando, ainda sem data fechada, mas será pelo final do ano.
por uma vida sem catracas!!
PASSE LIVRE JÁ!
MPL-DF
domingo, julho 15, 2007
segunda-feira, julho 09, 2007
Exposição de fotos do MPL-DF no sebinho da 406 norte
Compareçam!!
* Exposição de fotos do MPL-DF
* De 7 a 13 de julho de 207
* Local: Sebinho, endereço SHCN 406 bl. C lj. 44 / Tel: 3447 4444
quinta-feira, julho 05, 2007
III Festival de Inverno da Rua da Cultura
Confiram a programação da Rua da Cultura, que aconteçe nos dias 6, 7 e 8 de julho, na CLN 406/407 norte.Sexta-Feira, 15:30: Oficina de serigrafia
Sexta-feira, 16:00: Conversa sobre mobilidade urbana e segregação racial
Sábado, a tarde inteira: Exposição de fotos do MPL no "olho do observador"
terça-feira, junho 26, 2007
Festa das rádios livres

A festa oferece ainda espaço alternativo com:
Palco principal:
GOG
Semente Prometida
Rupestre
Espaço alternativo:
Dj“s- das Rádios Livres +Percussion Brother's
Orquestra Malavida
Sábado, dia 30 de junho
A partir das 22h
Centro Comunitário da UnB
R$ 5,00 até 00h - R$ 7,00 após 00h
Cerva $1,50 até 00h
quinta-feira, junho 21, 2007
Planka: movimento pela gratuidade do transporte (Suécia)

O artigo a seguir foi escrito por um voluntário do Centro de Mídia Independente de São Paulo, sobre um encontro que teve com o referido grupo. Boa leitura!
Por Pablo Ortellado - voluntário do CMI-SP (Email:: pablo@riseup.net)
O movimento tem por volta de 4 anos e, assim como o Passe Livre, demanda transporte gratuito para todos. A estratégia que eles adotam, no entanto, é única. Na Suécia, se você é pego no metrô ou ônibus sem bilhete, você toma uma multa (atualmente no valor de 800 Kronos, cerca de 240 reais). Como o custo de um passe mensal é de 650 Kronos (195 reais), não vale a pena arriscar. O que o Planka Nu vem fazendo, no último ano e meio, é constituir um fundo coletivo para pagar a multa caso quem viaja de graça seja detido. Funciona assim: o Planka fundou uma associação legalmente constituída e todo mundo pode se associar pagando uma mensalidade de 100 kronos (30 reais) no banco. Se você for pego viajando de graça, basta apresentar a multa para a associação e a associação paga a multa para você. É um seguro para pular a catraca.
O caráter único desta estratégia vem do fato de que na Suécia, viajar de graça não é exatamente um crime - a lei diz que se você for detido, você paga uma multa na forma de "tarifa complementar". Assim, a estratégia deles, a despeito das muitas críticas do governo e da direita, parece ser perfeitamente legal. Esse fundo, com o passar do tempo, se mostrou inclusive superavitário. Eles são hoje o único grupo autônomo que tem dinheiro em caixa e fazem sempre doações para outros movimentos, em particular o movimento em defesa dos imigrantes. Eles têm um pequeno escritório dividido com outros grupos onde recebem chamadas telefônicas das pessoas que foram detidas e prestam auxílio legal. Todo o trabalho é voluntário.
Atualmente, a associação tem 350 membros, mas esse número varia de mês a mês. Quando a passagem aumenta, o número de associados cresce e quando a passagem baixa, o número de associados cai. O grupo é formado por um núcleo duro de umas 4 pessoas que sempre participam das reuniões, mais umas 10 a 20 pessoas que vão e vêm.
Além do "seguro", o grupo também organiza manifestações, dá auxílio jurídico e faz uma campanha política permanente defendendo o transporte gratuito para todos. No dia seguinte ao que conversamos, eles fariam uma manifestação no órgão equivalente à câmara de vereadores contra um projeto de lei da direita que redirecionava as multas para quem violava o rodízio de carros no centro da cidade para a construção de rodovias (quando antes o dinheiro das multas ia para o transporte público). Eles também fazem uma campanha grande, distribuindo adesivos, fazendo camisetas, mochilas, etc. Além disso, eles têm um advogado voluntário que auxilia pessoas que sofreram abuso pela polícia pelo fato de estarem andando de graça (parece que todo mês acontece de alguém ser espancado). O fato do seguro ter um superávit permanente permite financiar todas essas atividades de propaganda com folga.
Pelo que eu pude ver, o Planka é um movimento conhecido no país. Sempre que acontece algo relacionado ao sistema público de transportes, eles são chamados pela imprensa para comentar (apenas um exemplo: outro dia a polícia retirou um camelô que trabalhava na entrada do metrô e a imprensa foi pedir a opinião do Planka). Eu também vi um vídeo-clipe muito legal de um rapper que foi feito para o Planka Nu a pedido do pessoal de Gotemburgo (link abaixo). Parece também que uma personalidade da TV Sueca (a primeira participante de um Big Brother a fazer sexo na frente das câmeras) fundou um partido (acho que meio como a Cicciolina na Itália) e convidou o Planka para participar da parte do programa relacionado a transportes. Embora a associação tenha só 350 pessoas, eles terminam sendo considerados os "representantes não oficiais" de todo um setor da população que viaja de graça. Segundo estimativas do próprio metrô, entre 6 e 10% da população viaja de graça.
Do ponto de vista político, o Planka defende um transporte gratuito para todos. Eles não têm conexões permanentes com os partidos políticos e vêem a sua tarefa não como a de propor leis, mas de pressionar os políticos a proporem leis. Muitos dos militantes vieram do movimento estudantil "sindicalista" (ou seja, ligado ao sindicato anarquista SAC - hoje com cerca de 10 mil associados), mas têm enfrentado dificuldades com alguns grupos anarquistas que os têm criticado. Eles não têm muito bem definido o modelo de transporte gratuito para todos que defendem. Têm apenas o princípio geral de que o transporte deve ser gratuito e financiado por um imposto progressivo (como o imposto de renda).
Atualmente, dois partidos apóiam "em teoria" a causa da gratuidade dos transportes: o Partido Verde e o Partido da Esquerda (antigo Partido Comunista). No entanto, esse apoio "teórico" não se transforma em propostas de lei efetivas, porque para propor leis a esquerda depende sempre do apoio do Partido Social Democrata (que governou a Suécia por 70 anos e recentemente saiu do poder) e o Partido Social Democrata não apóia a gratuidade. Eles também têm problemas com o sindicato estudantil (que, pelo que pude entender, é um corpo oficialmente eleito nas escolas e universidades) que luta pela expansão do desconto para estudantes (que é restrito a determinados horários) e vê a luta pela gratuidade como ameaça a sua estratégia.
A propósito, do ponto de vista estratégico, o Planka acredita que a viagem gratuita é equivalente a uma "greve dos transportes" - uma espécie de "greve dos consumidores". Eles também entendem que a estratégia deles é popular porque permite alcançar um objetivo concreto - é o estabelecimento de uma alternativa "aqui e agora". Essa estratégia, na avaliação deles, é próxima da dos internautas que baixam música gratuitamente (aliás, eles mencionaram que algumas pessoas do movimento pirata na Suécia esteve envolvido no Planka no começo da campanha).
O Planka Nu está bem estabelecido em Estocolmo e parece que um grupo em Gotemburgo também está consolidado, ainda que menor e menos influente. Eles tentaram expandir a experiência deles para outros países (como a Alemanha), mas nunca conseguiram. O principal entrave é que nos outros países viajar sem pagar a passagem é crime. Assim, embora haja ativistas que se interessam e lutam pela gratuidade dos transportes (eu mesmo tive notícia de um grupo em Paris), eles não encontraram como o Planka uma estratégica prática de ação. Um pouco por isso eles ficaram muito entusiasmados com o MPL, cujas lutas já tinham ouvido falar, mas acho que não sabiam que era um movimento organizado. Minha impressão é que valeria muito a pena o MPL estreitar os laços com o Planka.
Abaixo alguns links com maiores informações do Planka:
Site com informações em inglês:
Breve informação em português:
Email:
Video do rapper Mofo "Join Us" sobre o Planka.Nu
Artigo retirado do endereço: http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/06/386137.shtml
segunda-feira, junho 04, 2007
*Notícias, notas e demais materiais sobre o aumento podem ser encontrados nos seguintes links:
:: http://www.mplfloripa.blogspot.com/
:: http://www.midiaindependente.org/
:: http://manifestacao.rizosfera.net/
:: http://www.mpl.org.br/
sexta-feira, junho 01, 2007
pOr: Paulo Cesar Marques da Silva*
escrito em maio de 2007
Seria leviano atribuir a morte trágica de mais dois ciclistas atropelados no acostamento do Lago Norte, na última semana, à política de aumentar os limites de velocidade de algumas vias. Mas a circunstância de que a perda das duas vidas aconteceu exatamente no dia em que as placas de 60km/h foram substituídas pelas de 70 km/h no local nos obriga a refletir seriamente sobre os efeitos desse desatino com que o Detran quer marcar a reedição do programa Paz no Trânsito.
Ainda há alguns dias, em debate numa emissora de televisão, tive a oportunidade de ouvir do representante do Detran que as vias sujeitas a aumentos de velocidade não são escolhidas aleatoriamente, mas sim com base em estudos técnicos. O apresentador do programa então pediu detalhes de tais estudos e todos aprendemos que se trata do monitoramento dos índices de acidentes — vias que apresentam altos índices não são candidatas à dilatação dos limites de velocidade. Convenhamos, é um critério pouco responsável.
É o próprio Detran que nos informa que a primeira edição do Paz no Trânsito e a implantação da fiscalização eletrônica de velocidade fizeram o número de mortes no trânsito cair de 610 em 1996 para 465 em 1997. O número de mortos por 100 mil habitantes caiu de 34 para 22 no mesmo período e está hoje um pouco abaixo de 20. Coincidência ou não, as velocidades médias nas vias do Distrito Federal caíram abruptamente, também nesse período, em cerca de 40% e vêm se mantendo estáveis graças à fiscalização eletrônica. Sem dúvida, são resultados alentadores — mas não podemos nos dar por satisfeitos com esses números. Só para termos uma idéia, a meta da Política Nacional de Trânsito é reduzir a 14 o número de mortos por 100 mil habitantes até 2010. Ou seja, se reduzimos em 40% esse índice num período de 10 anos, temos só mais três anos e meio para reduzi-lo em outros 30%. De onde vem, então, a idéia esdrúxula de aumentar as velocidades?
O argumento que o Detran vem apresentando à população é da redução dos tempos de viagem. É claro que velocidades mais altas reduzem os tempos de viagem. Mas será que nós temos uma noção razoavelmente precisa do que é essa economia? Façamos uma conta simples. A via L4 Sul tem aproximadamente 10km de extensão. Percorrendo-a de ponta a ponta, no limite de velocidade anterior, de 70 km/h, gastávamos 8 minutos e 34 segundos. Com o novo limite, de 80 km/h, gastamos 7 minutos e 30 segundos. Isso mesmo – uma incrível economia de 1 minuto e 4 segundos. Outros exemplos? Nos aproximadamente 3km da EPJK (entre a DF-001 e a Ponte JK), o aumento de 70 km/h para 80 km/h nos proporciona um ganho de 19 segundos; nos 9km do Lago Norte (de 60 km/h para 70 km/h), 1 minuto e 17 segundos. Formidável.
O argumento fica ainda mais frágil quando o Detran diz que o objetivo é aumentar a fluidez nos horários de pico. Ora, nesses horários a velocidade não fica limitada pela regulamentação, mas sim pela concentração de veículos. Em outras palavras, é a alta demanda veicular, levando a operação da via para os limites de saturação, que impõe as restrições de velocidade nesses horários. Isso é tão elementar que a insistência do Detran em usar tal argumento deixa no ar a forte sensação de abuso demagógico da boa-fé da população.
O mais grave de tudo, entretanto, está nas conseqüências do aumento da velocidade sobre a ocorrência e a severidade dos acidentes. O impacto de um choque ou de um atropelamento depende da energia cinética do veículo em movimento, ou seja, varia com o quadrado da velocidade. Portanto um aumento de, por exemplo, 17% na velocidade (de 60 km/h para 70km/h), que significa 14% de redução no tempo de viagem, corresponde a um choque 36% mais grave. Por isso morrem 50% das pessoas atropeladas a 50 km/h, 90% das atropeladas a 70 km/h e praticamente 100% das atropeladas acima de 80 km/h. Além disso, mesmo quando a velocidade alta não é o fator principal de determinado acidente, ela pode impedir que o acidente seja evitado.
*Paulo Cesar Marques da Silva
Professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), é doutor em Transportes pela University College London (Inglaterra)
segunda-feira, maio 28, 2007
Car@s compas,
Motivos não nos faltam para estarmos aqui hoje, prestando a nossa solidariedade à luta d@s Metroviári@s. O simples fato de estarmos tod@s vivendo em um sistema que tenta nos oprimir e nos condenar já seria motivo para nos apoiarmos uns/umas aos/às outr@s. Somos tod@s pessoas comuns, que buscam a cada dia o necessário para viver, e isso também já seria o suficiente para nos unirmos. Mas há algo além de tudo isso: estamos tod@s na mesma luta, a luta por um mundo livre e por um transporte justo.
E porque o transporte? Nós, do Movimento Passe Livre, sabemos que a nossa sociedade não funciona sem ele e por isso não achamos justo que o transporte seja fonte de lucros inesgotáveis para alguns poucos empresários, que rodam a cidade em seus carros de luxo(***). Como podem estas pessoas, além de mandar no sistema de transporte, se beneficiar quase que totalmente dele? Ainda mais por cima da população usuária, que paga as tarifas absurdas, e d@s trabalhador@s que fazem o sistema funcionar!? É a evidência de nossa espoliação!
Para nós do MPL, não faz sentido comercializar o direito de ir e vir, assim como não faz sentido que @s trabalhador@s do transporte tenham seus esforços desvalorizados e suas necessidades concretas não atendidas por baixos salários e péssimas condições de trabalho. E que sentido faz, afinal, aquel@s que, cotidianamente, se utilizam do sistema de transporte e aquel@s que os fazem funcionar, trabalhando nele, terem retiradas de suas vidas a gestão desse sistema? Esta exclusão é sem dúvidas a causa de nossa exploração, de nossa alienação! Esta é a condição que nos obriga a lutar, protestando enquanto usuári@s ou em greve d@s trabalhador@s!
E o que se vê frente as nossas legítimas reivindicações? Frente às pautas d@s metroviári@s?
Auxílio alimentação, abertura de concursos públicos, aumento salarial, plano de carreira, atenção à periculosidade do trabalho etc., são tratados com descaso pelo Governo e a empresa do Metrô. A Luta por respeito e dignidade da categoria, encontra como resposta lançada pelas mãos direitas dessas autoridades, ataques e ameaças como: a privatização do setor, demissão de empregad@s, corte do ponto dos dias em greve, desmoralização do direito a greve. Não o bastante, tem-se o bombardeio das mídias burguesas em opor a Luta d@s trabalhador@s metroviári@s contra @s usuári@s, enquanto escondem os verdadeiros motivos da Luta e suas condições de trabalho, que são justamente contra as medidas dos patrões e governantes!
Mesmo que atendidas parcialmente as suas reivindicações, as conquistas obtidas não foram simplesmente dadas; foram resultados dos esforços próprios da classe em Luta direta na greve! Isso mesmo comprova nossa força quando nos mobilizamos, quando exigimos o que é nosso por direito! O poder do povo é demonstrado quando há paralisação de um serviço como os de transporte público: caso contrário será que os poderosos lançariam sua ira em formas de ameaças se seus interesses particulares não estivessem sendo diretamente afetados!?
Não podemos nos deixar enganar: a mão que finge que dá é, na realidade, a mão que nos bate! Diferente desta, nós do Movimento Passe Livre estendemos nossas mãos com respeito e solidariedade sinceras às Lutas d@s metroviári@s, para somarmos esforços em erguermos juntos nossos punhos contra a exploração dos patrões e governantes! Estaremos presentes no que for necessário: fechar vias, mobilizar a população, pressionar as autoridades, criar espaços de diálogo entre trabalhdor@s e usuári@s dos transportes, enfim, caminhando ombro a ombro por nossa emancipação. Acreditamos em nossa união, pois dela virá nossa vitória! A greve da categoria pode ter terminado, mas a Luta não pode parar!
Em solidariedade,
Movimento Passe Livre DF.
POR UMA VIDA SEM CATRACAS!
terça-feira, maio 15, 2007
Florianópolis viveu dois momentos de profunda radicalização na cidade, em 2004 e 2005. Duas revoltas intensas, de semanas de duração, enfrentamento, e violência Estatal, com prisões arbitrárias, utilização de armamento ilegal, etc. Essas revoltas ocorreram como expressão do desgaste, da “falência” – não no sentido financeiro, mas social e moral –, do Sistema de Transporte Coletivo Urbano.
Elas expuseram uma contradição fundamental e insustentável: a necessidade de um transporte coletivo público e voltado para os interesses do desenvolvimento da sociedade, das forças produtivas em geral, e a realidade de um sistema falsamente “público”, controlado por famílias oligárquicas e atrasadas – ou mesmo por grandes corporações internacionais –, e que se pautam fundamentalmente pelo lucro, e não pela res pública. Ou seja, o transporte coletivo é visto como um grande mercado, uma fonte de apropriação de fatias gordas do orçamento das famílias, uma fonte de poder econômico e político. E como tal, interessa que esse sistema seja mantido para esses mesmos grupos.
Acontece que na sociedade existe luta de classes. Que nessa contradição há interesses opostos, e que toda exploração tem seu grau de limite. O dos transportes públicos chegou.
Além das históricas Revoltas da Catraca, em 2004 e 2005 em Florianópolis, a Revolta do Buzú em Salvador, em 2003, e revoltas similares que derrubaram ou contestaram tarifas em Vitória (ES) 2005, Uberlândia (MG) 2005, Criciúma (SC) 2005, Fortaleza (CE) 2005, e Recife (PE) 2005, mostraram que essa é uma onda inevitável. Nesse momento Brasília (DF) e Aracajú (SE) estão em lutas contra aumento de tarifas nos transportes urbanos. E essa onda não vai parar, pelo fato concreto de 38 milhões de brasileiros não terem acesso aos transportes em virtude de suas tarifas, e desse número crescer a cada tentativa de novo aumento nos preços.
Existe solução. Ela dependerá de uma combinação bem sucedida de fatores: mobilização popular, concepção estratégica de um modelo de sistema de transportes, e direção/determinação política em aplicá-lo. No que diz respeito à direção política, confirma-se depois de um ano que a determinação da dupla Berger/Stroich é a de fazer linha de frente para os empresários do setor. Suas declarações recentes sobre a tarifa única demonstram isso. Darão a tarifa única como único recurso para aumentar as tarifas dos seus iguais, os empresários. Do ponto de vista da mobilização popular, há uma expectativa bastante positiva, como saldo de duas vitórias consecutivas (2004/05), e da grande demonstração de força da população nas duas revoltas. Do ponto de vista do modelo, cabe fazer a ampla discussão na sociedade. Nossa determinação é a de ousar. Pensar o transporte como serviço público essencial. O transporte coletivo deve ser retirado das mãos da iniciativa privada, como fator fundamental para superar a pauta da lucratividade, que é a questão essência que exclui milhões de pessoas do transporte. O transporte deve ser gerido pelo poder público, municipalizado, voltado para os interesses da coletividade, e pautado numa outra forma de financiamento.
Ou seja, é preciso pensar numa nova forma de tributação que onere os setores que verdadeiramente se beneficiam do funcionamento diário do transporte coletivo, e não os usuários. Os setores que se beneficiam são os grandes industriais, as grandes empresas de comércio, os detentores dos grandes meios de produção e de circulação de mercadorias. A inversão da lógica “do paga quem usa, para o paga quem se beneficia” é um instrumento importante de democratização do acesso ao transporte coletivo.
Com os impostos que o povo brasileiro paga – um dos maiores do mundo –, com o que pagamos de juros, com a distribuição esdrúxula de renda que possuímos, com as opções políticas que isentam os empreendimentos milionários – como o “Costão Golf ” no Santinho – não há dúvidas de que é possível pensar num transporte coletivo público, gratuito e de qualidade, exatamente como deveriam ser a educação e a saúde. É possível fazê-lo! Tarifa Zero, uma das concepções estratégicas do nosso modelo de transportes!
sexta-feira, abril 06, 2007
passe-livre, uma alternativa que nunca é citada.
Por Danilo Silvestre[1]
Para reduzir as emissões, os governos procuram aumentar o uso dos chamados biocombustíveis, como o álcool (etanol) e o biodiesel. A atitude é louvável, no entanto existem algumas críticas a esse projeto, como demonstra o artigo publicado no *site* do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST). (para ler o artigo clique aqui). Mas, mais do que procurar novas tecnologias, é necessário alterar hábitos cotidianos para que exista uma redução mais significativa.
Uma dessas mudanças é a maior utilização do transporte coletivo. Só que para isso são necessários incentivos à população, já que esse tipo de transporte é caro e não é bem cuidado. Um dos incentivos possíveis é a implantação do passe-livre estudantil. Com ela haveria uma queda na circulação de carros, tanto por parte dos pais, como por parte dos estudantes universitários.
Para ilustrar, pegue-se o exemplo do Distrito Federal (DF), que segundo os dados do Departamento de Trânsito do DF (DETRAN), possui, em fevereiro de 2007, 690518 automóveis (para ver os dados clique aqui). Supondo que cada carro roda 5km por dia (150km/mês) e que com a implementação do passe-livre 1% do total dos carros (6905) deixar de circular significa que deixarão de ser emitidas 1889,21 toneladas de dióxido de carbono por mês e seriam necessárias 12595 árvores para compensar essa emissão (para ir para a página de cálculo clique aqui).
Além da redução das emissões de dióxido de carbono e do consumo de combustíveis fósseis, a implantação do passe-livre provavelmente trará outros benefícios como a redução dos engarrafamentos, diminuição dos gastos públicos com vítimas da violência no trânsito e redução de atropelamentos.
Neste sentido, é importante que o passe-livre estudantil seja visto como algo maior do que uma reivindicação da juventude das cidades brasileiras, e sim como uma política de várias faces, como a de democratizar o acesso à educação formal e à cultura, a de melhorar a condição de tráfego e de estacionamentos nas cidades, melhoria nos gastos públicos de saúde pública e, é claro, de política ambiental, que é o foco deste artigo. Por isso, é relevante que os governantes, deputados estaduais, distritais, vereadores e universidades façam um levantamento mais aprofundado sobre a implantação do passe-livre e que leve em conta o maior número possível de variáveis. Os estudantes e o planeta Terra agradecem.
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[1]Danilo Silvestre é bacharel em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda. Ex-militante da ENECOS. Estudante de Ciência Política e militante do Movimento Instinto Coletivo
terça-feira, março 27, 2007
Brutal encontro de Grupos Autônomos
Outros dois encontros semelhantes já ocorreram em setembro de 2004 e setembro de 2005, articulando diversas vontades enquanto possibilitava diversas lutas ao redor do DF. Se em 2004, quando praticamente não haviam iniciativas e grupos autônomos no DF, queríamos irradiar uma luta radical abaixo e à esquerda e em 2005, quando alguns embrionários grupos experimentavam suas primeiras investidas anticapitalistas, nossa perspectiva era a de consolidar nossa movimentação, em 2007 a investida é mais certeira: busquemos, a partir das experiências acumuladas e da estrutura que temos, pensar estratégias mais acertadas de luta efetiva contra a opressão, em todos seus aspectos. Queremos que esse encontro tenha um estrondoso resultado em nossas lutas, sendo um Brutal Encontro dos Grupos Autônomos - rumo à batalha final - Ou (br)EGA, se preferirem.
De inciativa da Convergência de Grupos Autônomos, o EGA reune entre outros/as militantes e ativistas de diversos movimentos e organizações, como o Movimento Passe Livre (MPL-DF), Coletivo Corpus Crisis(KK), Centro de Mídia Independente (CMI-Bsb), Koletivo de Resistência Anarcopunk (KRAP), Ação Rebelde Dignidade Candanga (ARDC), Coletivo de libertação animal Madu, Radiola Livre FM, entre diversos outros. Além dos diversos grupos, inúmeras pessoas que partilham da luta por um mundo onde caibam todos os mundos não opressores estarão presentes. O que liga esses grupos e pessoas é não esperar o resultado eleitoral pra agir politicamente, pois nossos sonhos não cabem nas urnas e a boa política está pra além do voto eletivo; é sabermos que nossas flores punks de palavras diversas se encontram em turmas de alfabetização, em mobilizações por um transporte efetivamente popular, em rádios livres insurgentes, em vivências libertárias dos nossos corpos e sonhos, no boicote a circos que exploram animais, na solidariedade a todos e todas que lutam em todo mundo e em tantas coisas mais que não caberiam nessa escritura. Porém, todas estas pequenas iniciativas, juntas, formam um todo que avança cada vez mais rumo a outra sociedade enfim justa. Esperamos agregar cada vez mais para isso, apareça!
**Dia 30/03: coquetel de abertur a partir das 19h
**Dias 31/03 e 1/04: oficinas, debates, futebol e buraco o dia todo
Realização: Convergência de Grupos Autônomos- CGA DF
sábado, março 10, 2007
A imagem de crianças e idosos amontoados nos saguões de aeroportos à espera de algum vôo atrasado, repetida pela mídia em horário nobre até se transformar em lagavem cerebral, pretende ser incômoda, para dizer o mínimo. É daquelas que levam o conhecidíssimo "cidadão de bem", pessoa respeitadora, cumpridora dos seus deveres e boa pagadora de impostos, a dizer:
- Que absurdo! Isso é Brasil! Não tem uma autoridade que dê jeito nisso! Bandalheira total! Isso só acontece porque o povo não faz nada!
Respeito profundamente a indignação dos passageiros quanto a esta situação. Respeito-os quando tentam ocupar aviões para forçar as empresas a garantir seus vôos. Respeito-os quando se vêem obrigados a organizar assembléias nos aeroportos para organizar ações imediatas contra as empresas aéreas. Acima de tudo, respeito-os enquanto indivíduos que não se conformam com a humilhação a que são sujeitados nos aeroportos. Não obstante, gostaria de fazer um paralelo entre sua situação nos aeroportos e a dos milhões de passageiros de ônibus urbanos pelo país inteiro, para demonstrar como até nisso peão se fode, e vai continuar se fudendo se não passar a resolver seus problemas com suas próprias mãos ao invés de confiar nos outros (mídia, políticos, etc.).

É evidente que não pretendo comparar as funções específicas dos aviões e dos ônibus numa malha de transportes, isso seria ridículo. São funções tão diferentes que não se pode nem compará-las. O ônibus urbano é veículo cotidiano para milhões de pessoas cuidarem de seus afazeres diários, enquanto os aviões servem apenas em momentos pontualíssimos da vida de qualquer um - salvo se este "qualquer um" estiver a trabalho, com passagens e estadias pagas pela empresa onde trabalha, porque aí qualquer um pode viver na ponte aérea.
Não é isso que quero comparar. Quero comparar os passageiros, não os veículos. Quem são os passageiros de ônibus? Uma pesquisa realizada pela Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República (SEDU/PR) em 2002 em dez cidades brasileiras demonstra que 27,5% dos usuários de ônibus são das classes D e E, 38,5% são da classe C, 27,5% são da classe B e 6,5% são da classe A. Dá pra ver que quem usa mais ônibus é quem está na classe C, e ganha entre R$ 497,00 e R$ 1.064,00 por mês. As pessoas que estão em outras faixas de renda também usam ônibus, só que bem menos que as pessoas que estão na faixa de renda chamada classe C.
Quem são os passageiros de avião? Segundo a empresa de marketing Direkt, ligada ao Grupo RBS, 50,6% dos passageiros de avião são mulheres; 50,6% é solteiro, média de 37 anos, 31,3% possui nível superior completo, 52% com dois filhos e 23% com renda entre R$ 2.800,00 e R$ 4.650,00. A dita popularização do avião é falaciosa: uma pesquisa da Gol demonstra que em 2002, 4% dos passageiros da companhia aérea viajaram pela primeira vez de avião, e este percentual subiu para 10% em 2004; mas outra pesquisa realizada na baixa temporada com 3.000 passageiros, mostra um movimento de usuários com maior poder aquisitivo ganhando mais participação: em 2002, 28% deles tinham renda superior a R$ 5.000, e o percentual subiu para 39% em 2004. A escolaridade também subiu: em 2004, 70% dos passageiros possuíam curso superior, contra 56% em 2002. Pessoas com renda entre R$ 1.000 a R$ 3.000 caíram caiu de 31% para 25% na mesma comparação. No caso de passageiros cuja renda é até R$ 1.000, houve uma queda de 12% para 7%. Quem não possui renda representava 10% dos passageiros da empresa, hoje são 5%.
Esses dados apenas enfeitam o que qualquer pessoa vê a olho nu: enquanto o avião é meio de transporte para as classes média alta (B) e alta (A), o ônibus pega gente das classes C, D e E, excluídas dos aviões, seja porque é meio de transporte para um deslocamento que não é o seu mais comum (geralmente viagens interestaduais ou internacionais), seja porque realmente está fora de suas condições financeiras viajar pelo ar.
É preciso ter claro que os dois meios de transporte (terrestre urbano e aéreo) estão em crise por motivos bastante diferentes. No caso dos aviões, há a rebarba da crise na aviação que ainda se arrasta desde o 11 de setembro, além do baixo investimento em controle de vôo pelo governo federal e a própria desorganização das empresas. A crise é bastante atual e tem sua visibilidade garantida na mídia, por motivos aos quais retornaremos em breve. No caso dos ônibus, a crise não é visível e é mais complexa; por isso pede uma explicação demorada.
Vamos bolar uma situação na qual todos os custos do sistema (peças, salários, manutenção, garagem, impostos, ônibus novos, etc.) e todos os custos dos passageiros (aluguel, alimentação, roupas, material escolar, etc.) estão congelados. Agora pegue esse sistema, tudo congelado do jeito que está, e aumente alguma coisa no lado dos custos do sistema - os combustíveis, por exemplo. Os empresários de ônibus vão pressionar a prefeitura para aumentar a passagem, e a prefeitura dificilmente tem como negar. A passagem aumenta, e isso vai bater no bolso dos passageiros. Muitos passageiros já vivem no limite, e terão que cortar gastos em outras áreas, ou então deixar de andar de ônibus. Se pessoas deixam de andar de ônibus, isso significa que restam menos pessoas para dividir os custos do sistema. Quanto menos pessoas restarem para dividir os custos, tanto maior é o "pedaço" que fica para cada uma ? ou seja, a passagem vai ter que aumentar. Se a passagem aumenta, tem muita gente que já vive n
o limite, e tem que cortar gastos ou então deixar de andar de ônibus - e cada vez mais pessoas deixam de andar de ônibus. Quanto menos pessoas restarem para dividir os custos, tanto maior é o "pedaço" que fica para cada uma - ou seja, a passagem vai ter que aumentar de novo. E começa tudo outra vez, até encher o saco - ou, na verdade, até os pobres serem expulsos do sistema de transporte urbano.Um exemplo prático desta situação: Salvador. Segundo o Ministério das Cidades, enquanto o INPC subiu 150,4% entre 1994 e 2003, a passagem de ônibus em Salvador, no mesmo período, subiu 328,6%. Não é muito diferente das outras capitais, porque no mesmo período a passagem subiu mais que a inflação em todas elas. Mas em Salvador é possível observar que o número de passageiros vem diminuindo enquanto a passagem aumenta: o Anuário de Transportes 2004 da Prefeitura de Salvador indica que, entre 1995 e 2004, o número de passageiros de ônibus transportados entre 1995 e 2004 caiu 16,34%. Isso quer dizer que 87.181.190 passageiros de ônibus foram transportados a menos em 2004 que em 1995, e o preço da tarifa é um fator de exclusão fortíssimo numa cidade onde um entre cada quatro habitantes está desempregado, e, dos três restantes, apenas um ganha mais que dois salários mínimos por mês. Procure dados sobre transporte urbano em sua cidade que aparecerão situações semelhantes.
Uma crise no funcionamento dos meios de transporte afeta diretamente aqueles que deles se utilizam. No caso do transporte aéreo, classes alta e média alta; no caso dos transportes urbanos, classes média baixa e baixa. A primeira arrastou-se por longo tempo até ganhar as dimensões que tem hoje, a segunda se desenvolve todo dia sob nossas vistas sem que ninguém se dê conta - em especial por falta de visibilidade midiática.
Mas qual o critério desta visibilidade? Interesse de classe, pura e simplesmente. Para usar novamente do senso comum, observem a visibilidade dos pobres na mídia: há pouca presença dos bairros populares nos noticiários, salvo sob a forma de estatísticas de pobreza ou na editoria policial. Não há presença de pobres em novelas, salvo em papéis caricatos ou como empregadas dos protagonistas, quase sem falas.
Se falamos de visibilidade perante a opinião pública, estamos a falar de mídia - e os jornalistas dos principais meios de comunicação do país certamente não são de classe baixa. Sensibilizar-se com o que lhes seja idêntico é uma das características definidoras de uma classe, e a crise no transporte aéreo ganha prioridade nas pautas jornalísticas frente à crise do transporte urbano precisamente por este motivo; as prioridades invertem-se apenas quando a crise extrapola seus limites e se transforma em revolta - como foi recentemente o caso em São Paulo. E, mesmo assim, o pano de fundo das coberturas é o do "retorno à ordem", nunca o da busca de soluções para a crise ou da compreensão de sua origem e dinâmica.
Tem-se a impressão de que, para os jornalistas, pouco importa que as poucas horas de espera da classe média nos aeroportos sejam um nada frente às horas anuais somadas em que os pobres ficam presos em engarrafamentos ou esperam em pé nos pontos de ônibus. Diante da sorridente garota sentada no saguão de um aeroporto a quem o repórter pergunta se é chato esperar, parece ser de menor importância que um pobre perca o emprego por causa dos atrasos freqüentes dos ônibus, ou que se veja forçado a dormir menos - e, conseqüentemente, estressar-se pela falta de repouso - para pegar ônibus mais cedo. Tudo indica que relegam às estatísticas e aos números frios o fato do transporte urbano ser um dos principais entraves na busca por trabalho por parte dos pobres, enquanto que imagens quentes de pessoas irritadas nos aeroportos são mostradas todos os dias.
Respeito profundamente a indignação dos passageiros, como ressaltei no início deste artigo. O que me irrita é o narcisismo de classe média personificado no "cidadão de bem", que o leva a nunca desviar o olhar do próprio umbigo quando há problemas graves à nossa volta (como a crise do transporte urbano), esses mesmos problemas que o levam a ter surtos de cidadanismo ingênuo e fugaz. É o mesmo "cidadão de bem" cujo pensamento os jornalistas dizem refletir, e com o qual pensam representar o pensamento de uma sociedade inteira. E, enquanto o "cidadão de bem" for o parâmetro - como no dueto Homer/Bonner - o pobre terá condições extremamente restritas de dizer em público que seus problemas existem, ou mesmo de fazê-los circular nisso que chamam de "opinião pública" ou "esfera pública". Salvo, é claro, em situações que os jornalistas, representando a classe média como seus bons integrantes que são, jamais se sentirão confortáveis em cobrir.
pOr: Manolo - militante do MPL-SSA
segunda-feira, janeiro 29, 2007
Carta de apoio do MPL-DF ao Encontro NE
A organização de encontros funciona muito bem para qualificar as nossas críticas, compartilhar características das diversas cidades, aprendendo com os nossos erros e os dos outros, percebendo como os donos das companhias de transporte e também os governos que os apóiam lidam conosco. A troca de experiências é essencial, como pudemos perceber durantes os encontros nacionais.
Um ponto importante tirado no III ENMPL é a criação de um Grupo de Estudos sobre o sistema de transportes brasileiro, nas suas semelhanças e diferenças. O MPL-DF, num momento de reestruturação, também caminha no sentido de criar um grupo de estudos de acordo com as características da nossa cidade e as prováveis mudanças que ocorrerão devido à troca de governo. Este inicia um momento de modernização do sistema de transporte de acordo com um projeto de cidade que não é o nosso.
A parte disso, nós gostaríamos de parabenizar a organização dos companheiros do NE, e participar desse encontro colaborando o tanto possível, enviando uma delegada e um delegado. Esperamos também que essa organização regional seja frutífera, quem sabe podendo inspirar no centro oeste um encontro regional e, avançando nas expectativas, algo nacional.
Por uma vida sem catracas e sorte!
MPL-DF
quarta-feira, janeiro 10, 2007
A prefeitura de São Paulo está propondo um aumento da tarifa dos ônibus de 15% contra uma inflação de 6,9% (IPCA). Com esse aumento, muito superior à inflação, o governo municipal quer diminuir os subsídios ao sistema que teriam crescido devido às gratuidades e meias-passagens, ao bilhete único e a custos operacionais crescentes. Os subsídios de que reclama o prefeito Kassab estão abaixo dos 10% do valor da tarifa. Na Europa, o subsídio médio aos ônibus urbanos é de 36,9%, sendo que os subsídios chegam a 75% na cidade francesa de Bordeaux, 69,4% em Antuérpia, na Bélgica e 69,9% em Viena, na Áustria. Se os governos europeus oferecem esses subsídios para beneficiar os seus trabalhadores, é de se estranhar que no Brasil os governos reclamem tanto de assumir um ônus percentualmente menor para uma população muito mais carente. Segundo levantamento do IPEA de 2003, 35% dos brasileiros que vivem nas grandes cidades não conseguem utilizar o transporte público de forma regular por falta de recursos. Uma pesquisa recente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos constatou que em 2005 14% dos brasileiros deixaram de utilizar ou reduziram o uso dos ônibus urbanos e 8% nunca os tinham utilizado.
No horizonte dos protestos e na pauta do principal movimento social por trás dos protestos contra o aumento das tarifas, o Movimento Passe Livre, está a reivindicação de um "transporte público de verdade", gratuito para todxs. A proposta já esteve na agenda política brasileira, tendo sido bastante discutida na gestão Erundina. Ela consiste em desmercantilizar o transporte, que deixaria de ser um serviço pago e se transformaria num direito universal, como já acontece com os hospitais e escolas públicas. A reivindicação por "passe livre"coincide com a "tarifa zero" proposta pelo então secretário municipal de transportes, Lúcio Gregori, em 1991.
O projeto "Tarifa Zero" previa que a prefeitura separasse o custo dos ônibus do preço da tarifa. Esta separação permitiria uma socialização dos custos entre toda a população, através de impostos progressivos, sem onerar o usuário do sistema. Quem tem mais dinheiro pagaria mais, quem tem menos pagaria menos, quem não tem não pagaria - e todos, sem exceção, teriam acesso universal a esse direito. Assim, além de propor um transporte sem exclusão das pessoas que não podem pagar, o Tarifa Zero e o Passe Livre significariam uma redistribuição do financiamento do sistema público de transporte por meio de impostos progressivos que indiretamente distribuiriam a renda.
Enquanto não conquista esse programa máximo, que beneficiaria toda a população, o Movimento Passe Livre vem lutando contra os aumentos das tarifas nas cidades e pela municipalização do transporte, necessários para que a planilha de custos, itinerários e preços não seja mais definida dentro de gabinetes empresariais. As mobilizações já conseguiram vitórias significativas. Os estudantes reverteram o aumento da tarifa dos ônibus em Vitória no ano passado e em Florianópolis por duas vezes, em 2004 e 2005, nas chamadas Revoltas da Catraca. Em Salvador, na Revolta do Buzu, em 2003, a tarifa não foi reduzida, mas foi congelada por um ano e os subsídios aos estudantes foram ampliados.
A implantação de um transporte público de verdade, sem exclusão social, é um processo longo, e talvez seu primeiro passo seja vermos o transporte como um direito essencial. Um direito que dá acesso a outros direitos, como a educação e a saúde. Só existirá educação e saúde públicas de verdade se o transporte for público de verdade - se o acesso a esses serviços públicos não for limitado para aqueles que não têm como pagar a tarifa.
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quarta-feira, dezembro 27, 2006
Frente de Luta Contra o Aumento em São paulo

A luta contra o aumento das passagens de ônibus, metrôs e trens na região metropolitana de São Paulo capital completou um mês. O aumento foi considerado abusivo por diversos setores da sociedade, pois o reajuste de 15% (de 2 para 2,30) nos ônibus e os 9% (de 2,10 para 2,30) nos metrôs e trens ultrapassaram o índice da inflação que segundo o IPCA foi de 6,9%. Enquanto vereadores, a UNE e a CUT entravam com ações judiciais exigindo um reajuste de acordo com inflação, o Movimento Passe Livre (MPL) convocou uma Frente de Luta Contra o Aumento (FLCA). Formada por diversos movimentos, grupos políticos e indivíduos, a FLCA considerou que a luta deve ter como objetivo a redução total de qualquer aumento. Exigem, também, que o transporte deve ser realmente público, o que implica gratuidade para toda a população e gestão fora da iniciativa privada.
As pessoas que trabalham e passam pelo centro de São Paulo acostumaram-se a ver os/as manifestantes que, desde o dia 24 de novembro, concentram-se toda semana no Teatro Municipal e saem em passeata. Nesta última quinta-feira ocorreu o sexto ato no local. A luta tem incomodado as autoridades públicas que têm se esforçado para sufocar as mobilizações através da repressão policial. Tal atitude resultou em diversas pessoas feridas. Os casos mais graves foram o de um militante que teve o braço quebrado e diversas escoriações nas costas e de uma militante atingida na perna pelo estilhaço de uma "bomba de efeito moral". Além das queimaduras, os estilhaços provocaram perda da motricidade no dedo anelar esquerdo.
Apesar de já ter se passado quase um mês da data do aumento, o mesmo continua sendo pautado na sociedade graças às diversas mobilizações, destacando-se neste sentido os escrachos regulares que a FLCA tem realizado nas aparições públicas do prefeito Gilberto Kassab. O aumento ainda não foi barrado e as mobilizações vão continuar. Um ato está marcado para a próxima quinta feira, 28, em frente ao Teatro Municipal, a partir das 16 horas.
confira os links:
leia mais sobre o transporte: palestra de Lúcio Gregori no 3º Encontro do Mov. Passe Livre [com áudio] | O direito ao transporte público e gratuito: entrevista com Lúcio Gregóri | Crise no ar, crise nos ônibus: classe e visibilidade dos problemas na mídia | Os protestos contra o aumento e o horizonte de um transporte público de verdade | jornal do Movimento Passe Livre (MPL) | panfleto do MPL distribuído nos atos contra o aumentovídeos dos atos da Frente: dia 24/11 | dia 30/11 | dia 1º | dia 3 protesto na árvore de natal do Banco Santander | dia 10 | dia 17(1) | dia 17(2) | dia 18
editoriais no CMI: Em São Paulo, mais uma vez o prefeito é alvo de protestos | E a população arcando com o aumento | "A prefeitura isenta o banco e desconta no povão" | Continua a luta contra o aumento em São Paulo | Estudante espancado pela PM não poderá se formar esse ano | Frente realiza grande ato e convoca outro para hoje (01) | Semana contra o aumento das tarifas em São Paulo | Frente de Luta Contra o Aumento realiza ato em São Paulo | Ato contra o aumento das tarifas em São Paulo | Prefeitura anuncia aumento e setores da sociedade se organizam
sexto ato da FLCA ou e agora josé?
fotos:
dia 24: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | população apóia ato contra aumento | feridos | ação da polícia militar | repressão | população pede para a polícia parar | operação porta aberta
dia 30: 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | I | II | III | IV | V | A | B | C | [SP] Ato contra o aumento - Contrastes | Tava cheio de P2 | Cadê a identificação, sr policial?
dia 1: [SP] Fotos da repressão contra a Frente de Luta | Foto I | II | III
Mais fotos: Fotos de Cristian no Hopital do Servidor Público Municipal | Escracho avenida Paulista | Escracho Oscar Freire | R$ 4,5 milhões pra calçada dos ricos, aumento da tarifa de ônibus para os pobres | produção de faixa, prefeito no guindaste, escracho
::: O QUE DIZEM OS TÉCNICOS: Pesquisa "Mobilidade e Pobreza" (ITRANS, 2004) | Estudo sobre capacidade de pagamento da população (IPEA, 2006) | "Transporte urbano e inclusão social: elementos para políticas públicas" (IPEA, 2003) | Tarifas de ônibus nas capitais 1994-2003 (Min. Cidades, 2004) | Estratégia de transporte urbano do Banco Mundial (2002) | Novas tendências em política tarifária (NTU, 2005)
sexta-feira, dezembro 15, 2006
Exército Revolucionário e Insurgente de Palhaç@s - ERIP
Exército Revolucionário e Insurgente de Palhaç@s (ERIP).
Durante boa parte das longas assembléias que se seguiam viemos mantendo que se a conduta da polícia fosse violenta também seria a nossa, mas em dado momento nos colocamos a indagação de que se reagíssemos violentamente possivelmente não conseguiríamos ir muito além com o ato e talvez dificilmente geraríamos o distúrbio que pretendíamos gerar, que era bloquear vias, enfim, parar a cidade.Decidimos então por fazermos uma manifestação aberta e explicitamente pacífica de forma que pudéssemos manter nossa conduta de ação direta sem que a polícia(que como dito antes, tínhamos certeza que estaria numerosa e organizada) pudesse reagir de maneira agressiva. Mas como conseguir isso?
Foi citado por algumas pessoas ao longo das assembléias que tivemos nessa mesma semana que dificilmente a polícia atacava aos manifestantes que estavam na batucada/animação da manifestação, possivelmente por que a mesma não entendia essxs como ameaças, percebemos então que era necessário que essas pessoas responsáveis pela animação tomassem a frente da manifestação, de forma que dificultassem com que a polícia avançasse contra os manifestantes, para que nossa intenções pacíficas ficassem mais explícitas possíveis, faltava algo mais e para isso decidimos por em prática uma antiga proposta de um companheiro, que inspirado no Exército de Palhaç@s da Europa, propôs que criássemos um aqui. As pessoas que se dispuseram a participar disso; e que vale dizer, em grande maioria estavam tendo suas primeiras experiências como palhaç@s; se reuniram e prepararam o que foi uma carta na manga para nossa atuação no ato que aconteceria. É interessante observar que em momento algum durante a organização desse ato, passou pela nossa cabeça abdicar de fazermos ações diretas, de gerarmos distúrbios pra demonstrar nossa indignação com esse abusivo aumento .
E no dia 13/01 essa manifestação aconteceu, num dos momentos que talvez tenha sido dos momentos que mais me proporcionou arrepios, parafraseando um grande amigo “a época mais romântica da minha vida”. @s palhaç@s trouxeram àquela manifestação um clima ímpar, diferente de várias manifestações, por que por mais que o mpl sempre usasse de artefatos artísticos/culturais em suas manifestações, nessa por um momento de urgência esse artefatos haviam se tornado a maior de nossas armas. Como dito na primeira carta do exército(em anexo a este texto), tínhamos confetes e serpentinas pra enfrentar bombas de efeito moral e cassetetes e por mais que não pareça sabíamos que seria a forma mais eficaz de enfrentamento.
A grande jogada do exército de palhaç@s nesta manifestação, e foi isso algo que observei posteriormente, que acabou que aquel@s palhaç@s tiveram para a polícia naquele momento, uma representação semelhante a que tem o policial que aborda alguém na rua de maneira violenta, da mesma forma que a pessoa que é abordada pelo policial não pode reagir a suas agressões, dificilmente a polícia reagiria de maneira agressiva àquilo que era notavelmente uma ironia, uma agressão moral, pois seria algo que soaria um tanto quanto ridículo para a imagem da polícia, imaginem a seguinte manchete no jornal: “Polícia prende 20 palhaç@s em manifestação contra o aumento das tarifas”. Foi isso que também dificultou com que a polícia impedisse nossos distúrbios, além de clarear ainda mais algo que já tínhamos certa noção, nossa principal arma para os atos de rua era a surpresa, sempre teríamos que ter cartas na manga, o exército de palhaç@s e sua existência em si foi a primeira, posteriormente algumas de suas ações foram outras. Observo que o exército de palhaç@s dificultou ainda mais minha diferenciação entre o brincar e o revolucionar, por que muitas vezes quando queremos sintetizar em linhas tudo aquilo que acreditamos, acabamos por virar gravadores que apenas repetem jargões politizados e acabamos por desprezar espaços que se mostram um tanto quanto úteis na
prática.
Tantas vezes colocamos o ato de brincar como uma coisa boba e carregada de futilidades, sempre temos que separar uma coisa da outra, como se a atividade revolucionária fosse uma parte de nossas vidas, mas não algo que se mistura de forma quase que homogênea com nossas vidas. O ERIP mostrou-nos como nossa infância não foi algo que passou em vão e lembrou-nos um pouco que todo mundo deveria ter infância, que nem sempre a luta , os distúrbios são coisas tensas, mas que os mesmos podem ser incrivelmente divertidos, chegando a nos causar arrepios e não deixam de ser distúrbios.
O ERIP continuou existindo durante toda essa jornada de lutas, onde teve várias atuações memoráveis, como no dia em que o ERIP amenizou o clima duma manifestação que estava demasiadamente tensa no Paranoá(cidade-satélite aqui do DF), entre algumas outras atuações, posteriormente o ERIP se desligou do MPL tentando formar-se enquanto um grupo, lentamente o ERIP foi esfriando, acabando por adormecer mas com uma última e interessantíssima ação, que foi um beijaço em frente a uma Igreja de importância histórica do DF, em repúdio a recentes fatos de intolerância acontecidos no país e no mundo
Sobre @ Palhaç@, sua atuação política e nossas influênciaspara a formação dum clownismo radical,ativo e insurgente.
seu/sua palhaç@. O exército de palhaç@s talvez tenha sido essa outra faceta dentro da própria jornada de lutas, talvez a falta de prática que a maior parte de nós tinha enquanto palhaç@s impossibilitou com que desenvolvêssemos bem noss@s palhaç@s individualmente, mas de forma coletiva conseguimos explorar bastante a nossa existência enquanto palhaç@s.
Coletivamente posso analisar vários dos efeitos causados pelo exército de palhaç@s, primeiramente a surpresa por si só, como já mencionado anteriormente, além de diversas outras coisas, como as vezes em que o exército de palhaç@s amenizou o clima de algumas manifestações que estavam um tanto quanto tensas, a própria ironia para com a polícia, que mesmo não estando ali para combatermos diretamente a ela, a entendíamos como braço repressor do estado que tentávamos pressionar, logo ela é nossa inimiga. A ironia muitas vezes funciona melhor do que qualquer pedrada, o orgulho deles foi um tanto afetado por aquel@s que estavam ali dispostos a enfrenta-los sem nenhum poder de fogo. Também vale mencionar que o exército de palhaç@s por si só, enquanto coletivo se tornou um personagem do imaginário criado em cima daquela jornada de lutas.
Sobre nossas influências fica difícil delineá-las de forma clara, por sermos um grupo de jovens e em sua maioria de formação política e cultural anti-capitalista, autônoma, abaixo e a esquerda, poderia citar várias prováveis influências mas sem a menor ambição de querer nomear ou conceituar aquilo que foi feito pelo ERIP, inclusive por que não considero isso necessário, de conceituar aquilo que fizemos, pois isso restringiria a discussão sobre nossas influências que considero um tanto quanto vastas e variadas. Pra começar a falar sobre nossas influências teria que primeiramente dizer que consensualmente no grupo não existe uma linha que separe política de arte/cultura, que essa linha e distinção é normalmente dada pelos meios de produção da máquina capitalista. Que não só não fazíamos essa distinção como éramos pessoas com a particularidade de termos uma afinidade com esse tipo de atuação político-artístico-cultural. Para isso poderia dizer que grande parte do que nos inspirou em nossas leituras e aprendizados e nos deu sede de por em prática foram as histórias de grupos inerentemente jovens que atacaram a lógica social principalmente por vias culturais, aliás é interessante que essa forma de ataque já é um traço cultural da juventude, em seus questionamentos políticos, vários dos movimentos jovens anti-capitalistas autônomos de contestação surgem de maneira que não se pode traçar uma linha que divida a atuação política da atuação artística/cultural, para isso podemos citar os provos holandeses, o punk, em sua vertente mais politizada e séria, os squatters (ou kraakers .BZs, okupas), o classwar nos anos 80 na inglaterra, O CIRCA (Clandestine Insurgent Rebel Clown Army-Exército Clandestino,Insurgente e rebelde de Palhaç@s ) entre tantos outros. Para tantos grupos podemos observar inúmeras diferenças e particularidades, mas certas coisas são observadas em todos, como ousadia, a criatividade como arma e ao mesmo tempo como “tentativa e erro”, ou seja acaba que as análises serão diversas, por diferentes e distantes óticas, mas que independente das nomeações ou mesmo das conceituações sempre identificaremos práticas em comum nesses movimentos, que buscam de maneira horizontal politizar a rebeldia já existente na juventude; e são essas práticas que nos inspiram e influenciam.
Sobre a Tentativa frustrada do ERIP ter tentado se tornarum grupo organizado e linear e algumas conclusões
Acho hoje em dia que o ERIP deva se manter como era inicialmente, algo atemporal, espontâneo ,criativo e adepto da surpresa, que surja e desapareça sempre que for necessária sua nobre presença em meio a tantas lutas contra tantas injustiças das quais ainda há disposição naquelas peles e rostos coloridos. Esse texto possivelmente é um tanto quanto romantizado, mas não há como não ser romântico quando olho pra trás e vejo uma das épocas mais belas de minha vida, queria encerrar dizendo que o ERIP pra mim não morreu, apenas tira um cochilo, como um/uma bom/boa palhaç@, bohemix e preguiçosx, pra mim o ERIP sempre existirá enquanto houverem pessoas que além de entender a utilidade estratégica desse tipo de intervenção, acreditam de coração nisso e estarão dispostas a por roupas coloridas, narizes vermelhos e enfrentar a brutalidade com palhaçadas. Por um clownismo radical, vivo, ativo e espontâneo.





